quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

CLA Mais de 400 Lançamentos de Foguetes


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Out., Nov. e Dez. de 2009) destacando que o Centro de Lançamento de Alcântara já realizou mais de 400 lançamentos de foguetes desde a sua inauguraçaõ em 1989.

Duda Falcão

CLA
Mais de 400 Lançamentos

Posição geográfica privilegiada e condições climáticas
são fundamentais para o êxito das operações

O Brasil, que optou por ter um Programa Espacial completo, com centros de lançamento, veículos lan­çadores e satélites, capacitando-se nas tecnologias espaciais com foco nos grandes problemas nacionais e na utilização do espaço em benefício da sociedade possui o Centro de Lança­mento de Alcântara (CLA), no Estado do Maranhão.

Devido à posição geográfica, privi­legiada, o CLA, localizado a 2º18’ (dois graus e dezoito minutos) ao sul da linha do Equador, permite o aproveitamento e ganho de energia nos lançamentos em órbita de baixa inclinação, próximas à equatorial. Outros aspectos favoráveis são a segurança, pois o veículo é lançado sobre o mar, e as condições cli­máticas. No aspecto econômico, a proximidade com a linha do Equador permite economia de propelente ou combustível do foguete de cerca de 30%, em relação a outras bases de lançamento.

Nos últimos 20 anos, o CLA já efetuou vários tipos de operações com foguetes, desde foguetes de sondagem como o VS-30, VSB-30, VS-40, até o Veículo Lançador de Satélite (VLS). “As operações também contemplam outros engenhos, inclusive de origem estrangeira. O Centro já lançou foguetes FFAR (de teste), Super Loki (de teste), Viper Dart, Nike Orion, Black Brant e o Nike Tomahawk”, relata o engenhei­ro e chefe da Divisão de Operações, Carlos Alberto Santos Garces.

Etapas - Para a execução de um lançamento são necessárias etapas como preparação operacional, simu­lações, o lançamento propriamente dito e o rastreio. Desde a inaugu­ração em 1989, o CLA fez mais de 440 lançamentos de foguetes. Além dos veículos, o Centro também lança balões meteorológicos.

Segundo Carlos Alberto, o lança­mento de foguetes de pequeno porte capacita o Centro e auxilia o país na elaboração de novos projetos visando à colocação de satélites nacionais em órbita. “Nesta área específica, o de­senvolvimento tecnológico fomenta a indústria nacional, permitindo o cres­cimento estratégico do Brasil, que passa a ser visto como difusor de co­nhecimento e não apenas como mero consumidor de inovações tecnológi­cas estrangeiras”, conclui. Na próxima operação de lançamento, prevista para maio de 2010, será utilizado o foguete de treinamento básico, o FTB, fabricado pela empresa brasileira Avibras.

Foguetes

VLS - Desenvolvido a partir de 1985, passou por três testes, em 1997, 1999 e 2003. Ele tem capacidade de colocar satélites de até 350 quilogra­mas em órbitas baixas (entre 250 e 1000 quilômetro). O VLS-1 permitirá a consolidação de tecnologia indis­pensável à satelização de engenhos espaciais de significativa importância para o país.

VSB 30 - O Instituto de Aeronáutica e Espaço, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e a Agência Espacial Alemã (DLR), lançaram do CLA, em outubro de 2004, o primeiro protótipo do veículo VSB-30. O foguete de sondagem levou a bordo instrumentos destinados à realização de medidas de funcionamento do próprio veículo visando à qualificação para a re­alização de experimentos tecnológicos e científicos, sobretudo relacionados com o ambiente de microgravidade.

VS 40 - O VS-40 é um foguete de sondagem biestágio, movido à propulsão sólida não-controlado, estabilizado aerodinamicamente, com propelentes distribuídos entre o primeiro estágio (4.200 quilogramas) e o segundo estágio (810 quilogramas). A massa de carga útil é de 500 quilogra­mas e o apogeu é de 640 quilômetros. O VS-40 foi concebido, inicialmente, para realizar testes do quarto estágio do VLS em ambiente de vácuo.

SONDA II - A partir de 1966, o Sonda I evoluiu para o foguete monoes­tágio Sonda II, desenvolvido para transporte de cargas úteis científicas e tecnológicas, de 20 a 70 quilogra­mas, para experimentos na faixa de 50 a 100 quilômetros de altitude, com inovações tecnológicas, como novas proteções térmicas, propelentes e testes de componentes eletrônicos.

SONDA III - Com propulsores do 1º e 2º estágios, carregados com pro­pelente sólido, é capaz de transportar cargas úteis científicas e tecnológicas de 50 a 150 quilogramas para ex­perimentos na faixa entre 200 e 650 quilômetros de altitude.

SBAT-70 - O foguete tem fins de aperfeiçoamento e avaliação das características de desempenho dos meios operacionais, como rede de ge­renciamento, circuito fechado de TV, sistema de disparo e radares, visando lançamentos futuros. A operação de lançamento tem como principal objetivo a manutenção operacional do pessoal diretamente envolvido nas atividades de lançamento.

Fonte: www.cla.aer.mil.br


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 07 - Ano 2 - Out., Nov. e Dez. de 2009 - Pág. 22

Comentário: Apesar de ter lançado tantos foguetes desde a sua inauguração o Centro de Lançamento de Alcântara até o momento não foi responsável por qualquer lançamento de grande relevância histórica para o país, pelo contrario, ficou marcado pelo que talvez tenha sido o maior desastre com perdas de vida da história da astronáutica mundial. Interessante notar leitor que segundo a matéria um ou dois foguetes FTB serão lançados do CLA em maio desse ano. Esta notícia desmente o anúncio feito pelo coronel aviador Ricardo Rodrigues Rangel em 14/01 durante o evento de sua posse como comandante do Centro através de uma reportagem publicada pelo jornal “O Estado do Maranhão” em 15/01 (veja aqui a nota Novo Diretor do CLA Anuncia Lançamentos em 2010). Na ocasião o Cel. Rangel divulgou que as operações deveriam ser iniciadas em meados de fevereiro. Vamos aguardar.

2 comentários:

  1. Incrível que acaba de sair uma noticia de que o Brasil, supera a Russia em volume de produção científica, no bloco dos países emergentes BRIC. Em outras palavras, temos os cerebros para desenvolver nossa nação e colocar no rumo do primeiro mundo, podemos alcançar os outros países...se quisermos. Mas o Governo Geral (todos os níveis), não está interessado nisto, quer apenas números bonitos para levar em Davos e ganhar medalha de "O CARA DO MOMENTO". Neste momento, recebo outra notícia referente ao BRIC, a India acaba de anunciar seu primeiro voo tripulado para 2015. E o Brasil não saiu dos foguetes de sondagem...

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  2. Olá Ricardo!

    Eu li essa notícia e pode ser que seja realmente verdadeira apesar de ser inacreditável. Acontece que realmente o governo Lula nos últimos anos vem investindo bastante em Ciência & Tecnologia a ponto de destinar para o PAC desse setor 41 bilhões de reais em 2010. No entanto, o PEB continua sendo o “Patinho Feio” do setor de ciência & tecnologia nesse país, e isso fica demonstrado no valor que foi destinado para o orçamento da AEB deste montante, ou seja, a vergonhosa quantia de 293 milhões de reais. O Engraçado é que o Ministro Sergio Rezende, o presidente da AEB, Carlos Ganem e o Lula, vivem dizendo que o setor espacial é estratégico para o Brasil. Imagine se não fosse. Quanto a viagens tripuladas, isso só voltará acontecer amigo muito provavelmente quando não estivermos mais por aqui. Parabéns a Índia, esta sim uma verdadeira nação espacial. Chamo atenção dos “Cabecinhas de Panetone” que já perdemos a hegemonia tecnológica na área de satélites para os argentinos e segundo eu soube em 2012 os “hermanos” testarão em vôo o seu foguete lançador “TRONADOR II” com um satélite tecnológico abordo.

    Forte abraço

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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