quarta-feira, 31 de março de 2010

INPE Investe na Área de Fusão Nuclear


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (30/03) no jornal “Valor Econômico” destacando que o INPE irá investir na área de Fusão Nuclear.

Duda Falcão

INPE Investe na Área de Fusão Nuclear

Instituto planeja construir laboratório no interior
de São Paulo para ampliar pesquisas no setor

Virgínia Silveira
Valor Econômico
30/03/2010


As pesquisas brasileiras na área de fusão nuclear ganharão um novo impulso com a construção do Laboratório Nacional de Fusão Nuclear (LNF), dentro de uma área cedida à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Cachoeira Paulista (SP).

Para o novo laboratório, também será transferido o atual grupo de pesquisa do INPE, que trabalha com o Experimento Tokamak Esférico (ETE), uma máquina de pesquisa em fusão nuclear controlada, que segue o conceito desenvolvido na Rússia de confinamento magnético de plasma.

Em operação há dez anos, o tokamak do INPE, utilizado nas pesquisas da física de plasmas de altas temperaturas para fusão, também será transferido para o LNF, que será criado oficialmente até meados deste ano, segundo informou o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, Marcos Nogueira Martins. "O orçamento do INPE na área de fusão termonuclear já foi transferido para a CNEN e um dos projetos que estamos trabalhando é o da modernização do tokamak", disse.

O projeto, de acordo com Martins, receberá uma verba de R$ 1 milhão para melhorias na instrumentação de monitoração do equipamento e também do banco de capacitores (baterias), para que a descarga elétrica do plasma seja mais eficiente e duradoura. O Laboratório Associado de Plasma (LAP) do INPE foi um dos primeiros a desenvolver um tokamak esférico no mundo.

A construção do novo laboratório, de acordo com o coordenador das atividades de fusão do INPE, Gerson Otto Ludwig, será feita com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que aprovou uma verba de R$ 1 milhão para o projeto de engenharia e terraplenagem. "A previsão é que o laboratório entre em funcionamento em dois ou três anos, mas suas atividades serão iniciadas antes em uma sede provisória no INPE", segundo o pesquisador.

O custo total de construção do novo laboratório, segundo o diretor da CNEN, foi estimado em R$ 10 milhões, mas o valor não inclui a aquisição de equipamentos. "Além do tokamak do INPE, também temos a intenção de desenvolver uma outra máquina, mais moderna do ponto de vista de pesquisa, mas ainda não decidimos se ela será um tokamak ou outro tipo de dispositivo para a obtenção de fusão termonuclear", disse Martins.

Segundo Ludwig, do INPE, o tokamak é hoje uma das alternativas que representam menor impacto sobre o ambiente para a produção de energia em grande escala e a mais interessante para a consecução de reatores compactos de fusão, pois não utilizam urânio enriquecido como combustível. A fonte de energia dos reatores a fusão são os elementos deutério e trítio, retirados da água do mar.

A criação do novo Laboratório de Fusão Nuclear, segundo o diretor da CNEN, permitirá ainda que o Brasil crie uma massa crítica nessa área, uma vez que os atuais grupos de pesquisa estão pulverizados e espalhados em diversas instituições e universidades do país "Além dos servidores do INPE, o LNF também vai abrigar os pesquisadores de outras instituições e os novos profissionais que serão contratados por meio de concurso público."

Com uma estrutura mais organizada, segundo Martins, o Brasil poderá se capacitar de maneira mais coerente e ágil e participar de projetos internacionais do porte do International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER, na sigla em inglês), o maior tokamak do mundo, que está sendo construído por meio de uma cooperação internacional envolvendo vários países.

"O Brasil e a Comunidade Européia de Energia Atômica (EURATOM) firmaram, em novembro de 2009, um convênio para que pesquisadores brasileiros possam ter algum tipo de colaboração no ITER ou em outros tokamaks, como o Jet, da Inglaterra", disse Edson Del Bosco, membro do Comitê Técnico-Científico da Rede Nacional de Fusão.

Do ponto de vista europeu, segundo Del Bosco, o acordo já está em vigor, mas no Brasil ainda é necessário que o convênio seja ratificado pelo Congresso Nacional para que ele tenha força de lei. O acordo prevê, de forma geral, uma cooperação técnico-científica do Brasil com a EURATOM na área de fusão nuclear.

O coordenador das atividades de Fusão do INPE, Gerson Ludwig, disse que o novo Laboratório da CNEN também poderá abrigar experimentos e pesquisas inovadoras na área de fusão nuclear. "Um dos projetos que estou trabalhando, por exemplo, é o de um reator de fusão para a geração de radioisótopos, como o molibidênio 99, usado em medicina nuclear (exames de diagnóstico de câncer e outras doenças) e atualmente em falta no mercado mundial.


Fonte: Jornal Valor Econômico - 30/03/2010

Comentário: Tá tudo muito bém, ta tudo muito bom, mas como ficam as pesquisas do INPE direcionadas para o desenvolvimento de tecnologias espaciais como a do propulsor iônico em desenvolvimento no LAP? Corrijam o blog se estivermos errados, mas a função principal do Laboratório Associado de Plasma do INPE não seria desenvolver soluções tecnológicas na área de plasma para o programa espacial brasileiro? É claro que os chamados spin-offs (termo em inglês para designar um novo produto nascido a partir de pesquisas aeroespaciais) surgirão do desenvolvimento dessas tecnologias, mas como produtos derivados e não como objetivo final de desenvolvimento. Afinal estamos falando do Laboratório Associado de Plasma do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e não de um a laboratório específico para desenvolvimento de tecnologia nuclear em diversas áreas. Sinceramente causa estranheza ao blog que o coordenador das atividades de Fusão do INPE, o senhor Gerson Ludwig, tenha como projeto um reator de fusão para a geração de radioisótopos para serem usados em medicina nuclear. Evidentemente o blog não tem nada contra ao projeto que realmente é relevante, no entanto em nossa maneira de ver não deveria está sendo desenvolvido sob a tutela de um laboratório ligado as atividades espaciais do país. Uma vez mais fica demonstrada a falta de foco dessas pessoas responsáveis pelo PEB, ou então estão tentando nos bastidores enfraquecer ainda mais o já cambaleante "Programa Espacial Brasileiro" e favorecer o já milionário "Programa Nuclear" do país.

2 comentários:

  1. Totalmente de acordo Duda,

    esse artigo mostra a falta de coordenação de atividades (pelo menos até agora), não só entre órgãos do governo que já conhecemos bem, mas também dentro desses órgãos, no que diz respeito ao PEB.

    Com a mudança de atribuições (pesquisa de fusão passando para o CNEN), me parece que se está tentando arrumar a casa do INPE, cuja função é a de promover pesquisa na área espacial e de repassar para a indústria o desenvolvimento e produção dos resultados dessa pesquisa.

    Abraço, Marcelo.

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  2. Pois é Marcelo,

    Temo que o “Propulsor Iônico” em desenvolvimento para satélites e sondas espaciais (estava sendo estudada a possibilidade de se usar este propulsor e o da UnB no proposto "Projeto ASTER", veja a nota aqui no blog) tenha literalmente ido para o espaço, sem mesmo ter sido testado em vôo.

    O LAP é super importante para o INPE e para o PEB e a transferência de toda sua equipe para um laboratório sob a tutela do CNEN é enterrar de vez qualquer pesquisa na área espacial. Nada contra que se transfira a parte não espacial do LAP (tome com exemplo o projeto do coordenador do LAP) o que seria realmente o certo a fazer, mas pelo que pude entender dessa matéria é que estranhamente todo o LAP será transferido para este novo laboratório. Lamentável!

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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