quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Comitê Inicia Processo de Edital para Satélite SGDCE

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (31/10) no site “Valor Online” destacando que o Comitê Gestor do projeto do “Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDCE/BRsat1) inicia o processo de Edital para o satélite.

Duda Falcão

Comitê Inicia Processo de Edital para Satélite

Por Virgínia Silveira
Para o Valor de São Paulo
31/10/2012 - Há 11 horas e 19 minutos

O comitê gestor do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas pretende entregar, nas próximas duas semanas, o termo de referência que servirá de base para a elaboração do edital de compra do equipamento no exterior. A previsão é que a escolha do fornecedor seja anunciada no começo de 2013.

De acordo com o diretor de planejamento e investimentos estratégicos da Agência Espacial Brasileira, Petrônio Noronha de Souza, o documento será encaminhado para a Visiona Tecnologia Espacial, uma associação entre a Telebrás e a Embraer, criada para fazer o gerenciamento dos contratos com os fornecedores do satélite.

A Visiona, segundo Souza, terá ainda a responsabilidade de criar as oportunidades de transferência de tecnologia, que serão colocadas em prática a partir do segundo satélite, já que o primeiro está sendo comprado em caráter de urgência pelo governo brasileiro. "O decreto presidencial pede que o lançamento seja feito até o fim de 2014", disse o diretor durante uma palestra realizada em São José dos Campos, na segunda-feira.

O satélite vai operar em banda ka, para atender as demandas do setor de telecomunicações, o Plano Nacional de Banda Larga e a banda X - cinco transponders para as comunicações estratégicas do governo e das Forças Armadas. O custo do satélite, estimado em R$ 720 milhões, não inclui a transferência de tecnologia, que será tratada à parte.

A Agência Espacial ficará responsável por toda a parte que envolve a capacitação da indústria nacional e das instituições de pesquisa em tecnologias consideradas críticas e que estão ligadas ao satélite.

A lista de tecnologias de interesse do governo brasileiro ainda está sendo preparada, mas Souza adiantou que o programa espacial brasileiro tem muito interesse em capacitar ou melhorar a tecnologia nas áreas de propulsão de satélites, controle de altitude e órbita, gerenciamento de cargas úteis e gateways (antenas que ficam em solo e fazem a comunicação com o satélite).

O diretor da Agência Espacial disse que o processo de aquisição do segundo satélite deve acontecer cinco anos após o lançamento do primeiro. A vida útil estimada para o equipamento é de 15 anos. Segundo o Valor apurou, a Visiona já teria recebido informações de potenciais fornecedores do satélite, dentro de um processo de pesquisa junto a potenciais parceiros comerciais.

Entre os fabricantes internacionais interessados no projeto estão as empresas europeias Astrium, do grupo EADS, e Thales Alenia Space. As americanas Space Systems Loral e Boeing também integram a lista de interessados em fornecer o satélite para o Brasil.


Fonte: Site “Valor Online” - 31/10/2012

Comentário: Que lambança leitor. Realmente desestimulante tudo que está acontecendo com esse projeto e com o Programa Espacial Brasileiro como um todo. Talvez o maior ciclo de incompetência dirigida ou não em toda história da Astronáutica mundial. Não é por acaso que essas empresas estrangeiras estão em volta como urubus que procuram carniça, já que com toda essa confusão a possibilidade deles ganharem recursos com esse projeto é bem acima do normal, sagrando mortamente uma vez mais o erário público brasileiro. Confesso que não acredito mais que essa iniciativa traga algum beneficio ao país e como já vínhamos dizendo há quase dois anos, a sua previsão de lançamento em 2014 é tão provável quanto à existência de Papai Noel. Enquanto isso na Argentina, o seu Programa de Satélites vai de vento em popa. Entre os dias 16 e 17/10 eles realizaram revisão técnica do projeto SAOCOM no Centro Espacial Teófilio Tabanera, em Córdoba, e em agosto passado eles já haviam terminado a campanha de qualificação do modelo estrutural do futuro satélite de telecomunicações argentino, o ARSAT-1 (campanha essa realizada curiosamente no LIT brasileiro), sem contar o lançamento do SAC-D/Aquarius ocorrido recentemente. No Brasil, o CBERS-3 que já tem cinco anos de atraso, apresentou problema e não deverá ser mais lançado em 2012. Já o Amazônia-1, esse tem mais de 30 anos de desenvolvimento e está previsto (se alguém acredita) para ser lançado em 2013. Os outros satélites previstos são novelas tão incertas nesse governo desastroso que só mesmo Deus pode apresentar alguma previsão mais realista. Para piorar todo esse quadro, nem mesmo a nossa Petição Pública da ACS vem tendo a repercussão que esperávamos o que é desestimulante também. Estou me cansando disso tudo.

9 comentários:

  1. Calma Duda,

    É assim mesmo. Estamos fazendo aqui um "trabalho de formiguinha", e se demorar, ou até não der o resultado esperado, não tem problema, pois no caminho estamos sempre aprendendo.

    Eu sou signatário do Small Acts Manifesto, e é um fato:

    "Pequenas Ações fazem Grandes Revoluções"

    Vamos adiante !

    Abs.

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    1. Olá Marcos!

      Caro amigo, o problema aqui não é falta de calma e sim de tempo. Diferentemente do que está acontecendo com o verdadeiro PEB, a ACS está recebendo verbas suficientes para cumprir o seu cronograma. Assim sendo, quanto mais demorarmos em alcançar os números expressivos de assinaturas que precisaremos, menos chances de obter exito teremos, e assim esse trambolho tóxico e seus defensores sairão vitoriosos e o país mais uma vez derrotado.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Quanto ao programa Espacial Argentino, é realmente surpreendente (ou não), o que eles conseguem, mesmo sem ter por exemplo um centro de lançamento apropriado e bem localizado como os nossos.

    Estou trabalhando agora num "Lista de Foguetes de Sondagem", e resolvi documentar os foguetes argentinos até pra entender melhor como as coisas aconteceram por lá.

    Pelo que pesquisei até agora, nada muito diferente do nosso início por aqui. O que deve ter acontecido, é que a parte administrativa, gerencial e política deles, evoluiu de forma bem melhor que a nossa. Pode vir a ser um objeto de estudo futuro para as nossas sugestões ao PEB.

    Abs.

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    1. Olá Marcos!

      Tudo isso se resume em uma única palavra: "Compromisso", que na Argentina (pelo menos no atual governo) tem ocorrido nos últimos 10 anos.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Acho que é isso que os comandantes do atraso querem : vencer pelo cansaço

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  4. Olá Anônimo!

    Pois é amigo, não deixa de ser uma estratégia que historicamente no Brasil tem trazido grandes resultados.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  5. Olá , hoje achei um arquivo interessante no site do Senado sobre o PEB, tem informações interessantes e fotos , tem "rascunho" dos projetos de infra instrutura no CLA ,tem ate o local onde vai ser construído Prédio para Depósito de Propulsores ,noticia que vc postou dia 24/10.

    Link do arquivo em PDF
    http://www.senado.gov.br/comissoes/CCT/AP/AP20111201_Marco_Raupp.pdf

    Abraços

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    1. É André,

      Muita informação realmente, e partindo do Ministro...

      Agora, no papel, ou power point, é uma coisa, na prática é outra.

      Dois itens me chamaram a atenção nessa apresentação:

      - Primeiro a "fatia" bem pequena da ACS no orçamento.
      - Segundo na figura comparativa dos tamanhos dos lançadores como o Cyclone é bem maior que os nossos VLS.

      Resultado: para um público desinformado, o Cycloe é muito melhor que os nossos lançadores em todos os aspectos. Claro, lá eles não mostram todas as mazelas desse acordo.

      É isso, numa apresentação, eles podem conduzir os assuntos como bem quiseram.

      Parece que esse Ministro já demonstrou (não só por esse documento), que "aderiu ao sistema".

      Lamentável.

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  6. Creio que boa parte das pessoas que conhecem os problemas advindos do acordo com a Ucrânia não se podem pronunciar (provavelmente por trabalharem no PEB - e se for o caso, não é sensato cuspir no prato que se come). Mas creio que a petição em si já é um estimulo para pessoas comuns irem ver do que se trata o programa. Não creio que de um dia para outro conseguiremos 1000 assinaturas, porque o público está mal informado sobre o PEB. É ótimo pessoas que se interessarem pelo assunto virem pesquisar um dos melhores blogs se inteirando do "porquê" de estarmos tão apreensivos com esse acordo. Temos legitimidade para estar, e fizemos algo em prol disso.

    Sobre esse programa do satélite também tenho minhas dúvidas quanto o prazo e creio que tanta celeridade se traduz no interesse dos políticos em quererem obter mais votos em 2014.

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