segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O Projeto Euro/Australiano HEXAFLY e o Foguete Brasileiro VS-43

Olá leitor!

No dia 04/07 passado, após um grande período de total silencio em seu site oficial, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) publicou uma notícia que me deixou na época bastante encucado.

Tratou-se da noticia da realização por parte deste instituto da Aeronáutica de um ensaio a quente bem sucedido em banco de provas do Motor a Propelente Sólido S43, evento este denominado de “Operação Harpia” (veja aqui).

Vale dizer que o IAE não tem histórico de realizar testes como este sem ter em vista um proposito bem definido (uma missão) e não seria em tempos de vacas magras que eles partiriam para uma aventura sem sentido. Além do que, um teste como esse envolve um significado montante de recursos financeiros e alguém evidentemente teria de pagar essa conta.

Diante disto, fiquei incomodado com essa notícia que ficou então registrada em meu subconsciente cobrando de mim um explicação. Afinal testes como este precedem entre um ano e um ano meio missões científicas e tecnológicas e certamente não seria diferente nesta ocasião.

Vale lembrar que o IAE já havia anunciado para o segundo semestre deste ano a realização da “Operação Mutiti” na Base de Alcântara, sem contudo divulgar o objetivo desta missão. Porém, além do IAE divulgar também que o foguete a ser usado nesta operação seria o VS-30/Orion (muito provavelmente uma missão ligada ao Programa Microgravidade da AEB), não haveria no Brasil no momento nenhum projeto (pelo menos que se saiba) que justificasse o emprego desse foguete em uma missão, pelo menos não em território brasileiro.

Foi ai leitor que eu lembrei do Projeto SARA e também de algo que um influente militar do IAE havia me dito anos atrás, ou seja, de que a ideia do instituto para o próximo voo do Projeto SAMF (Sistema de Alimentação Motor-Foguete)/MFPL L5 (Motor-Foguete a Propulsão Líquida L5) seria realiza-lo através de um motor S43 em seu primeiro estagio. Entretanto leitor não há nenhuma movimentação dentro do instituto (que se saiba e seria difícil esconder se houvesse) que confirmasse uma dessas possibilidades.

Diante disso tudo caro amigo leitor, e também pela falta de recursos já citada, só uma explicação poderia justificar esse teste e ela é simples, ou seja, trata-se evidentemente de uma missão estrangeira. Mas qual seria ela?

Confesso que procurei no escuro na net por mais de uma semana sem qualquer resultado e assim acabei desistindo e logo depois veio o acidente que me manteve parado por um bom tempo.

No entanto leitor a vida é uma caixinha de surpresas e quando menos você espera ela pode apresentar para você a resposta para suas dúvidas, como ocorreu comigo na manhã de sábado quando navegava sem rumo pelo google.

Com tempo disponível por não ter nada de relevante a relatar no Blog, acabei encontrando um arquivo em PDF intitulado “HEXAFLY ‐ INTProject: Design of a High Speed Flight Experiment” que trata de um projeto hipersônico de parceria internacional envolvendo a Agencia Espacial Europeia (ESA), a Rússia e a Austrália, projeto este que pode ser a explicação para este teste em banco de prova do motor S43 realizado em julho passado na Usina Coronel Abner.

Acontece leitor que segundo esse artigo a carga útil desta missão internacional composta pelos experimentos EFTV (Experimental Flight Test Vehicle) e pelo ESM (Experimental Support Module) serão lançados ao espaço através do foguete de sondagem brasileiro VS-43, voo este que tem como previsão de lançamento meados de 2018, o que colocaria o mesmo, mais ou menos, dentro do prazo de um ano há um ano e meio após esse teste do motor S-43 em julho passado.

Experimentos EFTV e ESM

Será leitor? Tudo leva a crer que sim, porém será mesmo que o IAE faria o voo de qualificação deste novo foguete de sondagem com uma carga útil tão significativa (e cara) e ainda por cima (supostamente) fora do território brasileiro ???? Não sei, mas vale lembrar que todos os foguetes desenvolvidos com alguma participação alemã (VSB-30 e VS-30/Orion) tiveram os seus voos de qualificação realizados no Brasil, sendo a única exceção a essa regra o novo foguete VS-31/Orion que, talvez tenha pouca participação brasileira. Vale dizer também que não podemos descartar a possibilidade do voo ser realizado do Brasil seguindo assim os exemplos anteriores, mas neste caso quem estaria fugindo a regra seria a ESA e seus parceiros.

Ora, na realidade leitor por enquanto só são conjecturas feitas por mim, mas acredito que em breve deverá sair na mídia algo que esclareça melhor toda essa história, afinal é o mínimo que o nosso povo pode esperar do honorável Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), né verdade?

Duda Falcão

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