quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Trabalho no INPE

Olá leitor!

Recebi no final da noite de ontem (10/10) mais um interessante artigo escrito pelo pesquisador do INPE, Mário Eugênio Saturno (este um artigo extra não integrante da Série de Quatro prometida pelo mesmo – falta um), relatando reduzidamente sua trajetória dentro do Instituto, relato este de uma época quando o PEB realmente funcionava, apesar da grave situação econômica que o país enfrentava naquele momento.

Duda Falcão

Trabalho no INPE

Mario Eugenio Saturno*
Tecnologista Senior
Divisão de Sistemas Espaciais 
INPE/MCT - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
SJCampos - SP Caixa Postal 515 - CEP 12201-970 
Telefone: (012) 3208-7020

Em 9 de outubro de 1985, comecei a trabalhar no INPE. Havia passado por um longo processo que incluía aprovação pelo governo federal em Brasília, na época era assim. Era a realização de um sonho, poucos lugares do Brasil recebiam farto orçamento para desenvolver tecnologia, e tecnologia espacial.

Foi engraçado quando o funcionário do setor de Recursos Humanos perguntou como meus amigos chamavam-me, no INPE havia certa informalidade que tornava o ambiente ainda mais amigável. Fui selecionado para o grupo de Supervisão de Bordo, nome pomposo para computador de bordo de satélites. Quando cheguei, já tinham muitos “mários”, cogitavam chamar-me de Eugênio, ri por não enxergarem a obviedade da situação! Só poderiam chamar-me pelo sobrenome, Saturno, afinal o instituto era Espacial.

Logo fui encarregado de desenvolver o software do equipamento de testes dos computadores de bordo do satélite e escrever juntamente os testes deles e do satélite. Parecia incrível, mas aquele pequeno Satélite de Coleta de Dados tinha dois computadores ligados por uma rede.

Estudar na Universidade Federal de São Carlos foi uma vantagem incrível, aprendíamos a pensar e aproveitar software antes que isso virasse moda nos anos 1990. Quando se montava o modelo de voo do SCD-1, um problema ocorreu entre o receptor de radiocomunicação e o computador de bordo, os muitos zeros transmitidos ao computador fazia o receptor perder o sincronismo e, consequentemente, a comunicação. Todos os gerentes vieram ver o problema e começaram a debater o problema e sugerir soluções. Quieto do lado, resolvi rezar um Mistério do meu Terço, então tive um momento de lucidez, lembrei-me que os telecomandos eram enviados duplicados, se fossem zeros, bastaria colocar outros números na duplicação e o receptor não perderia sincronismo.

Também tive um momento de criatividade incrível no projeto do satélite com a China, o CBERS. Este satélite tem seis computadores que custam cerca de duzentos mil dólares cada. Em um projeto espacial, é necessário que se tenha um reserva de cada computador, se todos fossem iguais, bastaria ter um somente, economizando um milhão de dólares. Imaginei uma solução, polarizar três pinos do conector e o computador passaria a se comportar conforme esperado ali. Recebi os parabéns do chefe e o direito de fracionar minhas férias em 3 partes, para inveja dos colegas.

Ainda desenvolvi um equipamento de testes portátil para acompanhar o satélite durante a campanha de lançamento do SCD-1 e SCD-2, pois quando o Brasil contratou o lançamento, o foguete vencedor foi o Pegasus, que é lançado de um avião.

Tive a oportunidade de ser especialmente convidado para desenvolver um equipamento de teste suplementar para o equipamento brasileiro no projeto AQUA da NASA. Um satélite gigantesco.

Há poucos anos fui escolhido para acompanhar o desenvolvimento do sistema de controle e guiagem do Amazonia-1 na Argentina. E minha luta final é convencer o INPE a comemorar os 25 anos do SCD-1, nosso primeiro orgulho, esquecido por todos, gerentes, diretores, ministros, deputados e senadores, menos por mim e, agora, por você leitor.

*Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Segue abaixo os outros artigos dessa Série de Quatro escritos pelo autor:



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