segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

CLA - Base Espacial no Maranhão Esbarra em Disputa Histórica

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo postado ontem (24/12) no site do “defesanet,com”, destacando que a Base Espacial no Maranhão (CLA) esbarra em disputa histórica.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - ESPECIAL ESPAÇO - TECNOLOGIA

CLA - Base Espacial no Maranhão
Esbarra em Disputa Histórica

Governo quer atrair parceiros internacionais, mas moradores reivindicam área

Cleide Carvalho
Especial DefesaNet
24 de Dezembro, 2017 - 14:00 ( Brasília )

Visita do Presidente Michel Temer ao CLA.

Governo quer atrair parceiros internacionais com aumento de tamanho do centro, mas moradores reivindicam área e protestam contra falta de diálogo Governo estima que parcerias internacionais podem render US$ 1,5 bilhão, mas famílias terão que ser removidas

A possibilidade de ampliação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, tem tirado o sono de moradores do município. Implantada na década de 1980 com o deslocamento de 312 famílias que moravam na faixa litorânea, a base de Alcântara ocupa 8.713 hectares e está subutilizada desde 2003, quando um foguete foi acionado subitamente, antes da data prevista, e pegou fogo, matando 21 pessoas. Por falta de foguete, a base nunca colocou um satélite na órbita da terra.

CLA Impasse. Por falta de foguete, a base de Alcântara (MA) nunca colocou um satélite na órbita da terra e está subutilizada desde 2003, quando um acidente matou 21 pessoas Com localização privilegiada - próxima à linha do Equador - e promessa de reduzir em até 30% o custo de um lançamento de satélite, no último ano o CLA voltou a receber comitivas de países interessados em utilizar as instalações, entre eles França, Itália e Coreia do Sul. Uma proposta foi entregue ao Departamento de Estado norte-americano e, num fórum de investidores em São Paulo, no primeiro semestre deste ano, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que o CLA está pronto para uso de países parceiros.

O problema é que, para abrigar novos sítios de lançamento, o CLA tem que aumentar de tamanho. A estimativa é que terá que avançar mais 12.645 hectares sobre o município, obrigando a retirada de famílias e restringindo o acesso ao mar de comunidades que hoje vivem da pesca. Segundo o coronel Luciano Rechiuti, diretor do CLA, o objetivo é fazer o que não foi feito desde a década de 1980: a segunda etapa do plano diretor da base. Na prática, a área de expansão ocupará uma faixa de praia de pelo menos 10 quilômetros, o dobro da usada atualmente.

Em 1991, um decreto do então presidente Fernando Collor de Mello declarou de utilidade pública 62 mil hectares no município de Alcântara, área totalmente reservada ao CLA. Segundo a Casa Civil da Presidência da República, o que está em discussão agora é a efetiva utilização da área, mas ainda não se sabe quantas pessoas terão que ser removidas. Apesar do decreto de 1991, desde 2008 ações na Justiça estabeleceram um conflito fundiário, já que os moradores da região pedem titulação de terras por meio do programa de regularização de áreas quilombolas. Em 2010, o assunto foi parar na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal.

O reassentamento feito entre 1986 e 1987 deixou marcas na população. Os moradores foram retirados da faixa litorânea e transferidos para agrovilas distantes do mar. A ideia era transformá-los em pequenos produtores rurais. Segundo o defensor Yuri Costa, da Defensoria Pública da União, sem irrigação, a maioria das plantações não prosperou e ainda hoje as famílias percorrem 20 quilômetros de bicicleta para conseguir pescar.

Segundo relatório do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, que esteve em Alcântara em agosto passado para ouvir os moradores, a Agrovila Marudá, uma das formadas por reassentados, não tem sequer escola de ensino fundamental e médio e os jovens têm que ir para São Luís para estudar. Cerca de 40 casas estavam vazias e as famílias foram para a periferia da capital, em busca de emprego.

No último dia 18 de dezembro, a Defensoria Pública da União expediu ofício ao Ministério da Defesa e à Casa Civil da Presidência requisitando informações sobre o impacto que o projeto terá sobre a população do município.

- As autoridades têm falado publicamente sobre o assunto, mas os moradores não foram informados, nem ouvidos. É gente muito simples, humilde, muitos descendentes de escravos. O fato é que a tecnologia de ponta do CLA nunca melhorou a vida dos moradores. Ao contrário, a vida de muitos deles piorou muito - afirma o defensor.

Ao GLOBO, a Casa Civil informou que não há prazo definido para a retirada de moradores e que ela será "objeto de discussão com a própria comunidade no momento oportuno".

- Não se trata de expansão. O plano diretor existe desde a década de 80 e previa 22 mil hectares de área operacional. A construção seria em quatro etapas, mas só duas foram concluídas. As fases 3 e 4 nunca aconteceram. É um projeto de Estado e o decreto ainda é válido - diz o coronel Rechiuti, diretor do CLA.

Na nova área a ser ocupada pela base, a ideia é fazer três corredores de acesso até a praia. A Casa Civil informa que, a depender da extensão dos corredores, será planejada a forma de utilização e locomoção das comunidades.

O advogado Danilo Serejo, que nasceu em Alcântara e participa das discussões sobre como garantir os direitos das famílias, diz que quando há lançamentos as pessoas não podem pescar e não são ressarcidas por terem deixado de ganhar. Na avaliação dele, a expectativa de desenvolvimento gerada pela instalação da base de lançamento de satélites nunca se tornou realidade.

- Ao longo de quatro décadas da base, que tem tecnologia de ponta, pouco melhorou a condição de vida nos moradores locais. Quando a base foi criada, eles acreditaram. Agora, não acreditam mais. Não tem como olhar como uma coisa boa - diz o defensor.

Alcântara é hoje um município de pouco mais de 21 mil habitantes. Segundo dados do IBGE, apenas 4,3% dos moradores estão ocupados e 56,4% dos domicílios vivem com menos de meio salário mínimo. O CLA emprega cerca de 940 pessoas, entre civis e militares.

Segundo dados da Agência Espacial Brasileira, R$ 385 milhões foram aplicados no CLA entre 2009 e março de 2017, dos quais R$ 306 milhões no desenvolvimento de projetos. Documentos apresentados à Câmara dos Deputados mostram que serão necessários R$ 250 milhões para a operação da base em 2018. Nos últimos dois anos houve corte de recursos para o CLA e projetos foram adiados. Segundo informações do Comando da Aeronáutica, também apresentadas aos parlamentares, boa parte dos servidores civis - cientistas e técnicos com experiência acumulada na operação há 34 anos - está prestes a se aposentar. Como não são feitos novos concursos para contratação, a experiência pode se perder por falta de gente nova a ser treinada.

META É INVESTIR EM MICROSSATÉLITES

Ceder o espaço para países parceiros é a esperança de reviver o sonho da chamada "janela brasileira para o espaço". Se os planos vingarem, fala-se até mesmo na construção de um hotel e de um porto para permitir a chegada direta de equipamentos ao centro e abrigar a mão de obra estrangeira, sem contar a possibilidade de criação, no futuro, de um polo de indústria aeronáutica. Ou seja, tudo isso vai precisar de lugar para ser instalado.

A meta do centro é investir no lançamento de microssatélites, menores do que os satélites convencionais e que pesam até 150 quilos. As obras de adaptação da torre de lançamento devem começar em 2018, os testes, em 2019, e o lançamento efetivo, se nada atrasar, em 2021.

O Ministério da Defesa já estimou que as parcerias com outros países podem gerar receita de US$ 1,5 bilhão ao CLA. O mundo tem hoje cerca de 1.460 satélites em órbita, 40% deles comerciais - um mercado estimado em US$ 330 bilhões.

Nota DefesaNet

É quase impossível avançar com o desenvolvimento do CLA. O Ministério Público Federal tem sido um fiel guardião que qualquer atividade prevista não avance de forma alguma.

Emboras as tratativas do atual Comandante da Aeronáutica, o Brigadeiro Rossato, as dificuldades são enormes.



Comentário: Leitor, a questão quilombola é de fácil solução e não se resolve porque eles precisam desta desculpa para manter tudo com está e ganhar tempo para implantar o plano de se dar bem, entregando a quem pagar mais o sonho dos pioneiros. É o fim do PEB. Estou casando de toda essa palhaçada, o Programa Espacial Brasileiro (PEB) acabou e vai permanecer morto enquanto esses POPULISTAS DE MERDA continuarem no poder. Se realmente houvesse no Brasil um governo sério e comprometido com os interesses e com o desenvolvimento do país, eles reuniriam a comunidade cientifica num grande evento para formalizar junto com quem é do ramo um documento com diretrizes politicas, planejamento estratégico e logística para o setor e utilizariam a sua bancada politica de apoio no Congresso para aprovar o mais rápido possível o que quer que fosse necessário para implantar essas diretrizes. Isso tudo ai é papo furado, esses vermes estão caminhando para entregar a outras nações o pouco que ainda resta. É o fim senhores e por acreditarmos nisto, o ano de 2018 será o ultimo online do Blog BRAZILIAN SPACE. Chega de fantasias.

7 comentários:

  1. No Brasil todo e no mundo se constrói hidrelétricas,rodovias,ferrovias,duplica-se avenidas e realiza-se outras obras.Para tanto remove-se hospitais,escolas,residências;extingue-se pontos comerciais.Para isso indeniza-se,negocia-se,compensa-se de alguma forma.Já em Alcântara vemos essa novela.Qual o obstáculo intransponível impede que se negocie com essa gente.Que se arranje para eles outro espaço até melhor.Não há necessidade de arbitrariedade para fazer prevalecer o interesse nacional que é prioritário.O que realmente acontece nos bastidores não sabemos com certeza.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Porque é tão difícil uma expansão? Porque simplesmente não fazem uma area aterrada sobre o mar? Assim acaba a novela com esses moradores.

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  4. Duda não preciso ressaltar a importância do BLOG para mudar seu ânimo já que é justificado. Não espere nenhuma mudança para 2018. Com respeito ao PEB teremos as mesma palestras, visitas, assinaturas de convênios e absolutamente nada de resultados concretos. Essa embromação só cessará quando um governo sério assumir o país e determinar que haja, de fato, um programa espacial para o país. Ou seja, se o povo brasileiro acordar e votar em gente séria, em 2019 poderemos ter alguma notícia realmente relevante.

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    1. Olá Sr. Heisenberg!

      Não espero e justamente por isso que já maquei o fim do Blog para dezembro de 2018.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  5. Logo no início do governo Lula o PT correu para regularizar as terras dos Quilombolas para impedir a expansão do CLA. O Brasil se vê, mais uma vez, no dilema de não poder fazer por estar refém do corporativismo que toma conta de todas as instâncias e organizações governamentais. E como este governo não tem moral alguma, por ser chefiado por um corrupto e líder de organização criminosa, nada fará. Será preciso um governo de pulso que desloque os quilombolas para outra região, queiram eles ou não. Afinal, o que vale mais: desenvolver o Brasil ou manter a miséria de um povo apenas para dar boquinha para vagabundo mamar nas tetas do governo.

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    1. Olá Bernardino!

      Um governo de pulso e comprometido, sem dúvida, mas não é necessita nenhuma especie de truculência. Basta sentar para efetivamente conversar com eles e cumprir com ações efetivas o que já havia sido prometido as comunidades desde a implantação da base e não foi cumprido. Se fizerem isso, não haverá problema algum.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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