quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Como Salvar o Programa Espacial?

Olá leitor!

Trago agora para você o quarto artigo de cinco da série escrita pelo pesquisador do INPEMario Eugenio Saturno, tendo como tema o Programa Espacial Brasileiro (PEB).

Duda Falcão

Como Salvar o Programa Espacial?

Por Mario Eugenio Saturno*
06/12/2017

É o meu trigésimo terceiro ano no INPE e vi muita coisa dar certa e outras tantas darem erradas que julgo poder sugerir alguma coisa à nação brasileira do que fazer na área espacial.

O que me irrita muito é ver egos dominarem os rumos da Política Espacial praticada e que levam repetidamente ao desastre. Enquanto os egos brasileiros recusam a enxergar os sucessos dos rivais internos, sabotando e escondendo, ao invés de somar e multiplicar, nossos vizinhos da Argentina vão produzindo em série satélites comuns, de radar e de telecomunicações. Até surgiu um boato que o orçamento deles neste ano foi um fiasco. Um colega esteve na Argentina neste novembro e viu que eles vão investir um bilhão de dólares também neste ano e não os cem milhões que se delirava por aqui. Fiasco? Só o brasileiro!

Daí já vem a primeira necessidade para o Programa Espacial Brasileiro, se a falida Argentina pode investir um bilhão de dólares por ano, o que nos impede de fazer mais? Temos uma economia muito melhor, temos um território maior ainda e um parque industrial de fazer inveja. É falta de vontade política? Quem joga contra o Brasil?

Talvez inspirado na causa do sucesso argentino na área espacial e nuclear, a estatal INVAP, criaram a Visiona Tecnologia Espacial S.A., uma empresa de capital misto, da Embraer que detém 51% do capital e da Telebrás, os outros 49%, com o objetivo de estabelecer-se como integradora industrial de satélites nacionais. Para a indústria nacional pouco muda, já que a Visiona não pretende ser fabricante de componentes e que fará aquisições no Brasil na medida em que a indústria nacional capacitar-se.

O INPE desempenha o papel de integrador, com todas as restrições da Lei das Licitações e toda a insegurança jurídica que nossa Justiça gera. A começar com nossa Assessoria Jurídica da União que se comporta não como assessoria, mas como se fosse auditoria...

O problema é que lideranças dentro do INPE e DCTA não viram a Visiona como parceiro, mas como ameaça e partiram para o conflito. Até enxergaram a falência da empresa em curto prazo.

Outro dado importante é que no relatório do Tribunal de Contas da União, a Visiona aparece com o papel de integrador nacional e com orientações ao INPE e Agência Espacial Brasileira para que se adaptem a essa nova realidade.

Quem delira o fim da Visiona nem leu no Diário Oficial o Extrato do Contrato da Telebrás do Satélite SGDC-1: aquisição dos Segmentos Espacial e Terrestre que compõem e a posterior entrega de tais segmentos, plenamente operacionais, bem como a realização das atividades de Integração; valor global do contrato, para 222 meses, de R$ R$1.310.920.061,42. Dezoitos anos!

E contrato por Dispensa de Licitação (Art. 24, Inciso IX, da Lei 8.666/93): quando houver possibilidade de comprometimento da segurança nacional, nos casos estabelecidos em decreto do Presidente da República, ouvido o Conselho de Defesa Nacional.

Está aí o caminho inicial, orçamento compatível (um bilhão de dólares), o INPE fornecendo tecnologia e ciência, a Visiona executando, complementando ainda com uma forte parceria com os argentinos.

* Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Segue abaixo os outros artigos dessa Série escritos pelo autor:



12 comentários:

  1. Eu e você somos culpados por todo este desastre ao permitirmos ser governados por bandidos. Além disso, essa coisa de estabilidade funcional aniquila - com aplausos da maioria de servidores incompetentes e egocêntricos - a iniciativa de poucos em transformar investimento em resultado. Somente o dia em que os "bons" servidores do INPE tiverem a coragem de se insurgirem contra os "maus", é possível que a coisa funcione. Enquanto no INPE imperar o divisionismo e os grupelhos sustentados pelo SindCT, não vai passar de uma instituição que poderia ser sido, mas que nunca foi. Viva a incompetência tupiniquim!

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  2. De novo? Vou repetir pela terceira vez: dizer que a Argentina investe U$S 1 bilhão por ano em média na área espacial é piada! No ano 2017 a despesas orçamentadas da Conae (Comisión Nacional de Actividades Espaciales) serão de apenas U$ 100 milhões!!($ 1.740,5 milhões de Pesos argentinos). Usar uma falácia para tentar defender uma idéia x pode ter o efeito oposto!! Abraço

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  3. Parafraseando MarcTeen Ch. De novo? O que a informação de congregado mariano agrega ao artigo.Só se for para realizar um "Milagre" no PEB.

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  4. A informação veio da INVAP, dos diretores...

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    1. Prezado Sr. Mario, do mesmo jeito que no Brasil o senhor pode consultar a previsão das receitas e despesas no orçamento público (https://www12.senado.leg.br/orcamento/sigabrasil), na Argentina isso pode ser feito com muita facilidade também (https://www.minhacienda.gob.ar/onp/). É impossivel saber o qué as pessoas da Invap tinham em mente quando deram esse valor para o senhor...mas U$S100 milhões é uma estimativa ´generosa´ das despesas anuais da Argentina no setor espacial. Abraço

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  5. Ola Duda,
    Um colega, leitor do blog, passou-me algumas informações para refletir. Assim como o INPE não recebe todo o dinheiro do Orçamento Federal, veja-se o LIT que fatura bastante da indústria nacional, como a automobilística, a área espacial argentina não se resume à CONAE, nem à INVAP.

    Para exemplificar, somente a INVAP teve um presupuesto de quase 6 bilhões de pesos ou cerca de 600 milhões de dólares. Lembremos que INVAP atua em outras áreas também:

    https://www.adnrionegro.com.ar/2015/10/invap-tendra-el-proximo-ano-un-presupuesto-de-5-800-millones-de-pesos/

    E de acordo com La Capital, INVAP faturou cerca de 200 milhões de DÓLARES só em VENDAS!

    Não podemos esquecer que se somarmos os gastos com ACS, SGDC-1, Visiona, certamente o Brasil investe bem no setor, mas creio que mal investido!

    O valor de um bi de dólares para mim é parâmetro, não verdade absoluta, se quiserem se pegar nisso, be my guest!

    []s a todos

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    1. Eu nunca imaginei ter que explicar o seguinte para pessoas com educação universitária, mas dinheiro não cresce em árvore... tem que vir de algum lugar! Se a Visiona, invap ou o casadopaodequeijo estão gastando dinheiro em construir (cozinhar) alguma coisa para o governo, essa despesa DEVE ser visível no orçamento do governo em algum momento! Olha, posso entender que a maioria de seu argumento esteja baseado nessa falácia e que é importante para o senhor defendê-lo, mas deve haver um limite para o exagero. Abraço

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  6. Estimado Duda,

    Hay que tener en cuenta que con la cancelación de los satélites ARSAT, la inversión en el área espacial en Argentina cayó drasticamente, ya que el costo de cada satélite arsat ronda aproximadamente los 240 millones de dólares.
    El nuevo gobierno de Macri canceló el desarrollo de los ARSAT, lo que provocó una reducción drástica de la inversión en materia espacial, respecto al gobierno anterior. Los alto índices de inversión a los que hacen referencia algunos lectores, se produjeron hasta el año 2015.

    Saludos
    Gustavo

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    1. Amigão, o orçamento argentino para investimentos na área espacial de 2016 foi aprovado em 2015 pela administração anterior (kirchner)... e foi de apenas U$ 110 milhões!!!!! (https://www.minhacienda.gob.ar/onp). Não deixe que ideias políticas afetem sua interpretação da evidência empírica ou da realidade!!

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  7. En argentina como en Brasil.Lastima.

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  8. Hola a todos.
    Acabo de leer más arriba el comentario de un bloguero militante (que practica la censura en su propio blog en Argentina) escribir con inaudito atrevimiento y sin ponerse colorado de la vergüenza que: "el gobierno de Macri canceló la construcción de ARSAT III".
    Para quienes no deseen caer en la POSVERDAD K y en el relato artero y mendaz de los viudos de la Cristina les subo el link adonde se anuncia precisamente lo contrario, que el Presidente Macri resuelve avanzar con la construcción del satélite Arsat III en Invap y que el mismo estará listo y será lanzado en 2020, https://www.clarin.com/economia/gobierno-resolvio-avanzar-satelite-arsat-lanzarlo-2020_0_BkEtmPjbZ.html.
    Saludos y abrazo.

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