quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Os Sessenta Anos da Era Espacial e as Atividades Espaciais Brasileiras

Olá leitor!

Segue abaixo um outro interessante artigo, este escrito pelo conhecidíssimo Eng. José Bezerra Pessoa Filho (IAE/DCTA) tendo como destaque  os Sessenta Anos da Era Espacial e as Atividades Espaciais Brasileiras, publicado que foi na edição de fevereiro do “Jornal do SindCT”.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA – 2

Os Sessenta Anos da Era Espacial e
as Atividades Espaciais Brasileiras

O Programa Espacial Brasileiro nasceu em 1961, no contexto da Guerra Fria entre EUA e URSS. Foi a disputa por espaço aqui na Terra que levou ao lançamento do Sputnik em 1957. Desde então, quase oito mil satélites foram lançados. Desses, cerca de 1.800 estão operacionais, 10% dos quais com aplicações militares.

Por José Bezerra Pessoa Filho*
Jornal do SindCT
Edição nº 64
Fevereiro de 2018

Eng. José Bezerra Pessoa Filho
Os americanos são detentores de 803 satélites, enquanto chineses e russos possuem, respectivamente, 204 e 142 satélites. EUA, Rússia e China são os únicos países capazes de colocar satélites e seres humanos em órbita da Terra. São também capazes de colocar uma ogiva nuclear em qualquer ponto da superfície terrestre, bem como destruir qualquer satélite, se assim o desejarem, como demonstrou a China em janeiro de 2017.

O mercado espacial movimenta anualmente 340 bilhões de dólares, 20 bilhões aplicados à indústria de construção e lançamento de foguetes e satélites. Cerca de 70% desse mercado resulta da venda de serviços e equipamentos de solo, restrito a empresas cujos países possuam foguetes, satélites e centro de lançamento. Além dos 3 países já citados, são sócios desse clube: Índia, Japão, Israel, Europa, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Irã.

As atividades espaciais no Brasil tiveram início com uma clara visão estratégica dos militares. O ponto máximo dessa estratégia se deu ao final da década de 1970 com o estabelecimento da Missão Espacial Completa Brasileira - MECB. Dela vieram o Veículo Lançador de Satélites - VLS-1, o Centro de Lançamento de Alcântara - CLA e os dois Satélites de Coleta de Dados - SCD. O prazo de conclusão previsto para a MECB era de 10 anos. O CLA se tornou operacional em 1989, mas somente em 1997 e 1999 ocorreram os lançamentos do VLS-1. Em 1993 e 1998 foram lançados o SCD-1 e o SCD-2 pelo foguete americano Pegasus. Em 2017, catorze anos após o acidente, o projeto VLS-1 foi encerrado, sendo substituído pelo Veículo Lançador de Microssatélites - VLM-1. Após quase 40 anos, a MECB foi substituída por um conjunto de atividades espaciais não convergentes. As razões que levaram a esse quadro encontram-se bem documentadas, mas é fato que projetos mal concebidos e pouco discutidos com a sociedade não servem à nação. Ademais, propor novos caminhos requer: conhecimento, comprometimento com as futuras gerações e honestidade intelectual.

O descompasso da MECB teve início em meados da década de 1980, quando os recursos a ela destinados foram inferiores aos previstos. A partir da década de 1990, as políticas governamentais foram submetidas aos interesses do capital internacional. Nessa lógica, mais vale a nota conferida pela Standard & Poor´s do que grau de satisfação dos cidadãos com os seus governos. É a antítese do sistema democrático, que se encontra em crise em todo o mundo.

Com a transferência da coordenação do programa aos civis, o conceito estratégico da atividade desapareceu, como são provas a participação brasileira na Estação Espacial Internacional (ISS) e na Alcântara Cyclone Space - ACS, sem esquecer a tentativa de tornar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - SGDC um produto das atividades espaciais brasileiras. Se o Brasil tivesse focado no projeto VLS-1, estaria, a partir do CLA, participando do mercado de lançamento de CubeSats. Foram quase mil CubeSats lançados neste século. Mas sem que tenhamos lançado três protótipos, desistimos do VLS-1. Não há registro de um único país que tenha alcançado sucesso com tão poucas tentativas.

Em que pesem as crises, as limitações orçamentárias, a falta de recursos humanos e os erros estratégicos das últimas décadas, é preciso registrar que nos quase 60 anos de atividades espaciais o Brasil formou duas gerações de especialistas, que hoje ajudam a formar novos quadros por meio de cursos de graduação e pós-graduação. Além disso, desenvolvemos expertise no projeto, construção e lançamento de veículos suborbitais e orbitais. Possuímos dois centros de lançamento, além de uma infraestrutura laboratorial respeitável. Com os chineses, construímos satélites de sensoriamento remoto (CBERS). Ao longo dos anos aprendemos a fazer uso da tecnologia espacial para previsão de tempo e clima, bem como para o monitoramento do desmatamento e das queimadas que grassam na região amazônica. Esses feitos não podem ser desprezados, mas é imperativo reconhecer que esse legado está em processo de desconstrução a olhos vistos.

Àqueles que consideram as atividades espaciais incompatíveis com a realidade nacional, vale citar que a Índia iniciou seu programa espacial um ano após o Brasil, lançando o primeiro foguete Nike-Apache (americano) de seu território em 1963. Vale mencionar que foi o lançamento de um Nike-Apache que, em 1965, inaugurou o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno - CLBI. Dentre os pioneiros dessa época encontrava-se um visionário engenheiro aeroespacial, que exerceria a presidência do seu país entre 2002 e 2007: Abdul Kalam. Desde então, os indianos desenvolveram uma família de veículos lançadores de satélites contando, quando possível, com a ajuda americana e russa, e, quando não possível, com a engenhosidade de seus especialistas.

A Índia investe anualmente mais de um bilhão de dólares em seu programa espacial, enquanto o Brasil menos de 10% desse valor. São dezesseis mil especialistas e uma preocupação contínua com a formação das novas gerações. Notícias recentes, trazidas por um brasileiro que estudou na Itália, dão conta da existência de meia centena de indianos estudando ciências espaciais e nucleares em uma única universidade. O resultado de tudo isso é que a Índia é capaz de lançar seus próprios satélites, inclusive geoestacionários, além de enviar missões não tripuladas à Lua e a Marte. Em 2017, os indianos bateram um recorde mundial ao colocarem 104 satélites (101 CubeSats estrangeiros) em órbita da Terra, em um único voo do seu foguete PSLV. Este ano entrará em operação o sistema de posicionamento via satélite conhecido pela sigla NAVIC, reação à decisão americana de limitar o acesso da Índia ao sistema GPS, por ocasião da Guerra de Kargil (1999). Caberá também ao PSLV, em 2018, o lançamento do CubeSat ITASAT, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Uma análise comparativa Brasil x Índia demonstra que o PIB per capta brasileiro é cinco vezes superior ao indiano. Quanto ao analfabetismo, o da Índia é quatro vezes superior ao do Brasil. No que tange à percepção da corrupção, Brasil e Índia estão empatados, junto com a China. Contudo, quando se compara o crescimento acumulado do PIB neste século, tem-se 40% para o Brasil e 120% para a Índia. Ah! Nos três dias decorridos entre a solicitação e entrega deste artigo ao SindCT, o Governo pagou quase 4 bilhões de reais em juros ao sistema financeiro. Diante desses fatos e números só nos resta apelar:

Houston, we have a problem!

* José Bezerra Pessoa Filho é servidor de carreira de C&T, filiado ao SindCT


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 64ª - Fevereiro de 2018

Reflexões Sobre o Programa Espacial Brasileiro

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo escrito pelo Eng. Amauri Montes (INPE) com reflexões sobre o Programa Espacial Brasileiro (PEB), publicado que foi na edição de fevereiro do “Jornal do SindCT”

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA – 1

Reflexões Sobre o Programa Espacial Brasileiro

Pode parecer surpreendente, mas muitos não sabem que o INPE possui uma forte área de Engenharia Espacial há mais de três décadas. Faremos aqui uma sucinta abordagem sobre o Programa Espacial Brasileiro, suas origens e expectativas para o futuro.

Por Amauri Montes*
Jornal do SindCT
Edição nº 64
Fevereiro de 2018

Eng. Amauri Montes
Até o final dos anos 70, a área de Engenharia do INPE era constituída por departamentos, tais como telecomunicações, computação, mecânica e fotônica. A atuação na área espacial era pequena. Resumia-se a parte de solo com sistemas de recepção, antenas e processamento. As atividades eram concentradas no desenvolvimento de equipamentos em nível de protótipos de laboratório. Esses protótipos eram em grande número e nas mais diferentes áreas.

Aplicava-se o conhecimento que se tinha notícia do exterior, algo próximo ao estado da arte, com pouca ou quase nenhuma correspondência com a área espacial.

Podemos mencionar, entre vários, a construção de microcomputadores que começavam a surgir, interfaces eletrônicas, transmissores de dados, antenas e lasers. Eram praticamente todos financiados pela Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP.

Anualmente, o Instituto encaminhava as propostas recebidas de cada departamento, as quais passavam a compor um único pacote. Essa era a forma principal de composição orçamentária do INPE. Muitos desses desenvolvimentos faziam parte dos trabalhos de teses dos engenheiros desses departamentos.

No início dos anos 80, decidiu-se que a área de Engenharia do INPE passaria a dedicar-se quase exclusivamente ao desenvolvimento de satélites e plataformas espaciais. Relembramos a aprovação da Missão Espacial Completa Brasileira - MECB, em agosto de 1980. Iniciou-se aí um período de capacitação e finalmente, no ano de 1985, a Engenharia Espacial estava consolidada. Paralelamente, em 1987, o LIT era inaugurado.

Dois satélites tipo SCD foram construídos pelos engenheiros do Instituto, colocados em órbita e ainda estão em operação, atendendo ao Sistema de Coleta de Dados. Também, cinco satélites foram desenvolvidos em parceria com a China e colocados em órbita pelos lançadores chineses da categoria Longa Marcha. O CBERS-1, posto em órbita em outubro de 1999, o CBERS-2 em outubro de 2003, o CBERS-2B em setembro de 2007 e o CBERS-4 em dezembro de 2014. O CBERS-3 foi lançado em dezembro de 2013, mas não entrou em órbita por falha no lançador.

Atualmente a Engenharia Espacial do INPE trabalha na conclusão do CBERS-4A e no Amazônia-1, primeiro satélite de Observação da Terra dessa série, totalmente nacional.

Em países desenvolvidos, não se fala em Programa Espacial sem uma Política Industrial. Isso é tão natural nesses países que toda vez que temos oportunidade de discutir ou analisar qualquer programa espacial, em poucos minutos a discussão passa para a Política Industrial. Aliás, nesses países, o modelo é aplicado a qualquer programa de desenvolvimento de alta tecnologia, com instituições de pesquisa e desenvolvimento trabalhando muito próximas ao setor empresarial.

Assim, já há algum tempo, uma Política Industrial ousada tem sido adotada para o desenvolvimento dos subsistemas e equipamentos e partes, os quais são projetados, fabricados e testados na indústria nacional. A Engenharia Espacial do INPE trabalha inicialmente em nível de sistema. Posteriormente, o desenvolvimento, a fabricação e os testes de cada subsistema são encomendados às empresas brasileiras, que passam a fazer parte do respectivo programa. Na fase seguinte, quando todos equipamentos/subsistemas já estão prontos, o Instituto se incumbe da integração e teste do satélite e respectivo lançamento. O INPE também realiza as atividades na fase operacional de controle dos satélites e recepção e distribuição dos dados.

Após o sucesso do CBERS-4, com o enorme avanço conseguido pelo país através dessa Missão, principalmente em tecnologias sensíveis, a Engenharia Espacial está preparada para atender às demandas atuais da sociedade brasileira. Dentre as quais, destacamos alguns exemplos, como o Programa Estratégico de Sistemas Especiais - PESE, a ampliação da capacidade de monitoramento ambiental, o Cadastro Rural e muitas outras.

Assim, uma meta importante, que vislumbramos, consiste no desenvolvimento e fabricação de um satélite na faixa de 150 kg, equipado com câmera óptica de alta resolução. A competência existente no Brasil, na associação da Engenharia Espacial do INPE com a indústria nacional, pode perfeitamente construir essa plataforma, incluindo a carga útil. Aliás, um programa dessa natureza viria em boa hora.

Esse tipo de satélite, operado em constelação, atenderia às demandas citadas acima, como também à imensa necessidade brasileira por imagens de alta resolução. Simultaneamente, continuariam os satélites da série Amazônia, operando com câmeras de campo largo, com capacidade ampliada em cada nova missão.

Esses são alguns exemplos de missões que se apresentam imediatamente. Diferentes demandas poderiam ser atendidas, ao mesmo tempo em que o setor industrial e serviços do Brasil, na área espacial, iria se consolidando e constituindo em breve o que poderíamos chamar de um “Cluster” tecnológico, com raízes firmes em nosso país. Garantiria, com robustez, a permanência e aperfeiçoamento dessas tecnologias no Brasil, gerando maiores oportunidades de empregos e também de negócios, inclusive no exterior.

Embora muito importantes, um país com as dimensões do Brasil não deve pautar sua economia em apenas alguns setores, como Commodities, Agronegócio ou Turismo. Deve fomentar um setor empresarial forte capaz de gerar produtos e serviços com alto valor agregado, tanto para atender à demanda do mercado interno, como para exportação. Caso contrário, as crises serão constantes, intercaladas por pequenos períodos de calmaria quando o cenário internacional possibilitar.

O principal desafio do país é adquirir a capacidade de produzir produtos e serviços de alto valor agregado e, em tamanha empreitada, o domínio da alta tecnologia não é opcional, mas imprescindível. O investimento em um programa espacial se mostra uma ferramenta eficaz e de imensa contribuição neste contexto, pois satélites e plataformas orbitais são o produto de maior valor agregado existente no mundo.

Os engenheiros e técnicos pertencentes à Engenharia Espacial do INPE sabem da importância do trabalho que realizam, mas é preciso maior atenção do país ao tema.

Mesmo contando com reconhecimento e elogio de importantes órgãos internacionais, o programa carece de maior consideração no contexto nacional, sendo alvo de críticas empobrecidas pela falta de informação e frequentemente colocado à margem das prioridades do país.

Além disso, a falta de reposição de quadros, necessária e rotineira em qualquer instituição, pública ou privada, ameaça fortemente o futuro e tudo que dissemos e explicamos aqui, já no curto prazo.

Em seu último livro Em Busca de um Novo Modelo, Celso Furtado alerta para o que denomina “armadilha do subdesenvolvimento”, explica que o subdesenvolvimento não é um estágio natural que antecede ao desenvolvimento.

Um país pode permanecer séculos no subdesenvolvimento caso não mobilize forças numa estratégia bem estabelecida que possa tirá-lo dessa situação. Esse pensamento foi adotado pelo Japão, seguido pelos Tigres Asiáticos e mais recentemente pela China, com excelentes resultados. Afinal, o que estamos esperando?

*Amauri S. Montes é da Turma 77 do ITA. Esteve no comando da Engenharia Espacial do INPE, no cargo de Coordenador Geral da Coordenação Geral de Engenharia e Tecnologia Espacial nos períodos de 2005-2008 e 2013-2017


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 64ª - Fevereiro de 2018

Medida Fiscal Restritiva Preocupa Ciência e Tecnologia

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo escrito pelo ex-Secretário Executivo do antigo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e publicado na edição de fevereiro do “Jornal do SindCT”.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA – CAPA

Medida Fiscal Restritiva Preocupa
Ciência e Tecnologia

Por Luiz Antônio Rodrigues Elias*
Jornal do SindCT
Edição nº 64
Fevereiro de 2018

Brasil vivenciou, a partir de 2003, uma inflexão em seu padrão de desenvolvimento, superando importantes restrições ao seu processo de crescimento econômico.Era urgente buscar a redução de nossa vulnerabilidade externa, fragilidade fiscal e recuperar a capacidade de investimentos da economia. O novo padrão de desenvolvimento teve como um dos eixos estruturantes a constituição de um amplo mercado interno de consumo de massas, concebido como um vetor dinâmico da economia. Esta estratégica envolveu a implantação de um conjunto articulado e complementar de políticas públicas, orientadas para a redução drástica da pobreza, inclusão social e educacional, associado ao fortalecimento dos instrumentos de planejamento e regulação econômica do estado brasileiro.

Ênfase também foi conferida pelo Governo Lula, continuado pela Presidenta Dilma, à geração e apropriação do conhecimento científico e tecnológico, enquanto motor para redução das desigualdades regionais, para o fortalecimento de nossa inserção internacional e elevação da competitividade sistêmica de nossa economia, única forma de conjugar o crescimento com a inclusão social, construindo por fim, a base para a “sociedade do conhecimento”. Este novo cenário abriu espaço para avanços importantes na agenda de CT&I.

Políticas Implementadas

Políticas foram sistematizadas em torno de programas e ações, no Plano de Ação de CT&I de 2007/2010 e na Estratégia Nacional de CT&I - ENCTI de 2012/2015. Ambas, com profícua articulação com a política industrial representada pela Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior - PITCE de 2005/2007, pela Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP de 2008 /2010, e pelo Plano Brasil Maior - PBM lançado em agosto de 2011, Projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo - PDP e os Projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo para o Complexo Industrial da Saúde, colocando as ações em CT&I como eixos centrais da política de Governo.

O desafio lançado pelos planos e políticas, mencionados acima, exigiam reconhecer que apesar de termos um enorme potencial em recursos naturais, não poderíamos nos contentar em sermos apenas exportadores de petróleo, minério e alimentos. A agenda deveria responder (e respondeu) a uma nova dinâmica, ou seja, potencializar nossa capacidade científica e tecnológica, impulsionar inovações na indústria, em manufaturas de alto valor agregado, reforçando nossa posição competitiva na produção e comércio mundial, com modelo de governança articulado.

Inflexão

Porém, tivemos uma grave inflexão com a extinção do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, vinculando sua missão à das Comunicações, ocasionou a desarticulação do sistema e certamente, está elevando ainda mais, as assimetrias existentes entre nossa economia e dos países desenvolvidos. A agenda neoliberal tardia e o ajuste fiscal ortodoxo estão impondo uma forte restrição aos investimentos, perda de recursos orçamentários, inclusive do maior fundo de apoio à ciência no Brasil o FNDCT - Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, retrocessos na área de crédito e de recursos para impulsionar as atividades de pesquisa. Os recursos Finep e CNPq despencam tenho os dados e os dos institutos apresenta uma queda de mais de 70% se comparado a 2000.

Desafios

Os desafios futuros são elevados. Nas últimas décadas, a economia global vem atravessando profundas transformações dos padrões de concorrência, de produção e consumo. As chamadas “Inovações Disruptivas”, fruto de persistentes processos interativos entre a ciência e tecnologia estão promovendo uma reestruturação territorial e organizacional da produção mundial de manufaturas, paralelamente a um crescente processo de concentração e centralização da produção em grandes corporações globais.

Assim é necessário repensar os padrões de financiamento, com fundos públicos e créditos de longo prazo, rediscutir os incentivos fiscais com foco em setores críticos para nossa economia, como as cadeias de petróleo e gás, avançar em tecnologias inerentes a nossa biodiversidade, com sustentabilidade. Avançar de forma decisiva na ciência para a inclusão social de nossa sociedade.

Portanto é fundamental retomar uma agenda de Estado para o tema de C&TI com um planejamento que privilegie a articulação da política tecnológica e industrial, visando a construção de nossa competitividade. O uso articulado de instrumentos (fiscal-financeiro) regulação, poder de compra e recursos de longo prazo para as etapas do ciclo de inovação. Metas compartilhadas em áreas estratégicas deverão ser estruturadas com o setor científico-tecnológico e o setor privado.

Como enfrentar a nova revolução tecnológica com lento crescimento e baixas taxas de investimento? Existe um esgotamento do padrão anterior que reflete os límites do tipo de especialização. É urgente retomar o tema das mudanças estruturais com uma agenda de políticas voltadas para impulsionar a ciência brasileira e a inovação.

*Luiz Antônio Rodrigues Elias é ex-Secretário Executivo do MCTI


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 64ª - Fevereiro de 2018

Orçamento da Ciência e Tecnologia Para 2018 Tem Redução de 19%

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na edição de fevereiro do “Jornal do SindCT” destacando que o Orçamento da Ciência e Tecnologia para 2018 terá redução de 19%.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA – CAPA

Orçamento da Ciência e Tecnologia
Para 2018 Tem Redução de 19%

Em processo de desmonte, orçamento para C&T é reduzido ano a ano

Jornal do SindCT
Edição nº 64
Fevereiro de 2018


Publicada no Diário Oficial da União em 03/01/2018, a Lei Orçamentária Anual para o ano de 2018 – LOA apresenta o orçamento geral para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações - MCTIC de R$ 12,7 bilhões, valor 19% menor que o da LOA 2017.

O orçamento movimentável, destinado a custeio e investimento (ou seja, excluídas as despesas obrigatórias e a reserva de contingência), é de aproximadamente R$ 4,7 bilhões para o próximo ano, 25% a menos do que o aprovado para 2017.

O governo federal enviou, em agosto de 2017, o Projeto de Lei Orçamentária - PLOA para 2018, que destinava apenas R$ 2,7 bilhões para custeio e investimento para o MCTIC. A comunidade científica e acadêmica realizou intensas mobilizações e conseguiu sensibilizar, de modo que no dia 31 de outubro de 2017, o governo federal enviou nova mensagem ao Congresso Nacional com os recursos aumentados para R$ 4,7 bilhões, um valor ainda muito baixo e insuficiente para as necessidades mínimas da área.

Diversas sociedades científicas se manifestaram, ainda em dezembro de 2017, quando restava alguma esperança de que o Orçamento Anual para a área de Ciência e Tecnologia recebesse acréscimos substanciais, protestando contra os cortes drásticos em CT&I no Orçamento de 2018, aprovado pelo Congresso Nacional no dia 13 de dezembro.

Um documento de protesto foi publicado conjuntamente pela SBPC, ABC, ANDIFES, CONFAP, CONSECTI e Fórum Nacional de Secretários Municipais da Área de Ciência e Tecnologia e encaminhado ao ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, a todos os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática - CCTCI e a todos os senadores da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado - CCT.

As entidades nacionais signatárias alertavam as autoridades constituídas e a população brasileira sobre consequências muito graves desses cortes para o país. Eles ameaçam o funcionamento do sistema nacional de CT&I, comprometem a possibilidade de recuperação econômica em momento de crise e podem afetar seriamente a qualidade de vida da população brasileira e a soberania nacional.

Esta decisão de cortes drásticos é de responsabilidade do Governo Federal e foi acolhida e aprovada pela Comissão Mista de Orçamento - CMO e posteriormente pelo Congresso Nacional, apesar dos esforços e da pressão da comunidade científica e acadêmica, do próprio posicionamento do MCTIC e das manifestações de diversos parlamentares.

Estes cortes afetarão direta e profundamente as agências de fomento do MCTIC (CNPq e FINEP), as instituições de pesquisa do Ministério, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT, o programa dos Institutos Nacionais de C&T - INCTs, os programas de CT&I dentro do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC e o apoio geral a projetos de pesquisa e de infraestrutura para os pesquisadores e as instituições de pesquisa brasileiras.

É alto o risco de laboratórios serem fechados, pesquisadores deixarem o país e jovens estudantes abandonarem a carreira científica. Também ocorreram cortes significativos em agências, universidades públicas e instituições de pesquisa ligadas a outros ministérios (FIOCRUZ, IBAMA, INMETRO e EMBRAPA foram igualmente atingidas por cortes de recursos para custeio e investimento), desestruturando a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico, que formam uma cadeia indissolúvel capitaneada pelo MCTIC.

Entenda Como Funciona o Orçamento da União

A Lei de Diretrizes Orçamentárias compreende as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital, e dispõe sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. A LDO é enviada pelo Governo ao Congresso Nacional no início de abril de cada ano. Após realização de Audiências Públicas, é apresentado um Relatório Preliminar. Depois de concluído o Relatório Final, este pode receber emendas e ser votado perante a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização - CMO.

Após a aprovação pela CMO, o Relatório Final é encaminhado à mesa do Congresso, devendo ser votado até julho, em sessão conjunta do Congresso Nacional.

Já o Projeto de Lei Orçamentária Anual - PLOA é enviado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. Ela estabelece os Orçamentos da União, por intermédio dos quais são estimadas as receitas e fixadas as despesas do governo federal. Cabe ao Congresso Nacional avaliar e ajustar a proposta do Poder Executivo.

Após ser recebida pelo Congresso Nacional, a peça orçamentária é analisada pelos 16 Relatores Setoriais, representando as Áreas Temáticas, que recebem emendas e emitem os Relatórios Setoriais.

Os relatórios Setoriais são recebidos pelo Relator-Geral, que tem a prerrogativa de alterá-los e produzir o Relatório Geral. O Relatório Geral é votado na CMO, enviado à mesa do Congresso Nacional e deve ser votado até o último dia do ano legislativo, em sessão conjunta do Congresso Nacional e, após sancionado pela Presidência da República, transforma-se na Lei Orçamentária Anual.

E as Emendas Parlamentares?

Existem três tipos de emendas parlamentares: Emendas de Comissão Temática, Emendas de Bancadas Parlamentares Estaduais e as Emendas Individuais.

Em cada ano, a Mesa do Congresso define o número de emendas e o valor total que cada parlamentar pode solicitar. As Emendas Individuais são as mais conhecidas do público, pois, na prática, funcionam como moeda de troca em relação ao apoio que alguns parlamentares dedicam ao governo de plantão.

As emendas parlamentares são indicações feitas por deputados e senadores de como o governo deve gastar parte dos recursos previstos no Orçamento. Os parlamentares costumam privilegiar seus redutos eleitorais.

As emendas parlamentares tiveram, em 2017, o maior valor liberado dos últimos quatro anos. Ao todo, foram R$ 10,7 bilhões, um crescimento de 48% em relação ao ano anterior e 68% maior do que o liberado em 2015.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, durante a votação da primeira denúncia, baseada na delação contra o Presidente Temer, no dia 2 de agosto, o então ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), foi flagrado negociando a liberação de emendas com deputados da base aliada.

Ainda segundo o Estado, em 2017, embora a maior parte do dinheiro tenha sido destinada à saúde, a lista de emendas parlamentares pagas pelo governo inclui desde show do cantor Wesley Safadão a campeonato de motocross no interior de Minas.

Na Procuradoria Geral da República transita pedido de abertura de inquérito contra os ministros Ricardo Barros (Saúde) e Carlos Marun (Governo), sobre suposto direcionamento de recursos para compra de ambulâncias a parlamentares que votam com o governo.

O Jornal do SindCT solicitou aos deputados da região que indicassem quais foram os destinos de suas Emendas Individuais. Apenas o deputado Eduardo Cury apresentou emendas para a área de C&T, mais precisamente para ITA e IEAv.

Para acompanhar a tramitação das emendas dos deputados, acesse o site do Portal da Transparência: http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/loa


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 64ª - Fevereiro de 2018

Faça Engenharia Aeroespacial na UNIAMÉRICA de Foz de Iguaçu

Olá leitor!

Você jovem que gosta de Astronomia, Astronáutica e Robótica e pretende investir ainda esse ano em graduação nessas áreas, ainda dá tempo, a Faculdade União das Américas (UNIAMÉRICA) de Foz do Iguaçu-PR, oferece para você o Curso de Engenharia Aeroespacial. Saiba mais pelo vídeo abaixo.

Duda Falcão

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Escola de Verão do INPE Oferece Minicursos em Áreas da Computação e Matemática Aplicada

Caro leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (22/02) no site oficial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destacando que a Escola de Verão do instituto está oferecendo  Minicursos em Áreas da Computação e Matemática Aplicada.

Duda Falcão

NOTÍCIA

Escola de Verão Oferece Minicursos em
Áreas da Computação e Matemática Aplicada

Por INPE
Publicado: Fev 22, 2018

São José dos Campos-SP, 22 de fevereiro de 2018

De 27 de fevereiro a 2 de março, acontece a ELAC 2018 - Escola de Verão do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Serão ministrados oito minicursos em áreas como análise computacional de eventos extremos, neurocomputação, ciência de dados, wavelets, problemas inversos, desenvolvimento de software ágil, processamento de alto desempenho e modelagem de novos motores em propulsão aeroespacial.

É possível se inscrever em até quatro minicursos. Os participantes terão a oportunidade de conhecer as instalações do Laboratório de Integração e Testes do INPE e receberão certificado.

As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de fevereiro pelo site:


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

EMBRAPA Participa na Elaboração do Programa Espacial Brasileiro

Olá leitor!

Segue abaixo uma curiosa notícia postada dia (15/02) no portal “MundoGEO” informando que o Programa Espacial Brasileiro (PEB) sendo elaborado de forma participativa por instituições públicas e privadas e entre elas a EMBRAPA.

Duda Falcão

Notícias

EMBRAPA Participa na Elaboração
do Programa Espacial Brasileiro

Programa está sendo elaborado de forma participativa por instituições
públicas e privadas demandantes de produtos e serviços do setor espacial

Por MundoGEO - 16h06,
15 de Fevereiro de 2018


Três membros da Embrapa Territorial (Campinas, SP) vão representar a Embrapa na elaboração do Programa Espacial Brasileiro, sob coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Os analistas Paulo Roberto Rodrigues Martinho e Osvaldo Tadotomo Oshiro e a pesquisadora Janice Freitas Leivas deverão responder a seis questionários relacionados a atividades espaciais compreendidas em grandes grupos de abrangência: observação da terra; coleta de dados; meteorologia; comunicações; missões científicas; posicionamento e navegação.

O Programa Espacial Brasileiro será elaborado de forma participativa. Os questionários serão respondidos por instituições dos setores público e privado demandantes de produtos e serviços do setor espacial. As equipes responsáveis deverão entregar os arquivos preenchidos até 23 de fevereiro.

Nessa etapa de consulta, espera-se que sejam apontadas as reais necessidades do País relacionadas ao setor espacial. Elas deverão ser analisadas pelos especialistas das instituições demandantes, da AEB e das demais instituições do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), em uma segunda etapa, a fim de identificar as tendências tecnológicas e as prioridades do Brasil para o setor, com base em interesses comuns e direcionamento do Estado.


Fonte: Portal MundoGEO - 15/02/2018 - http://mundogeo.com/

Comentário: Estranho essa notícia leitor, muito estranho mesmo. Quando foi mesmo que esses vermes Populistas de Merda chegaram a dar ouvidos a Comunidade Cientifica, Industrial e Espacial do país???? Essa história precisa ser acompanhada com mais atenção, pois pode ser mais um jogo de cena desses vagabundos e todos esses questionários acabarem em alguma gaveta burocrática perdida em Brasília criada com este fim.

Efeitos da Radiação em Tripulações e Sistemas Embarcados São Objeto de Estudo do IEAV

Olá leitor!

Segue uma nota postada ontem (22/02) no site do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) destacando que Efeitos da Radiação em Tripulações e Sistemas Embarcados são objeto de estudo neste instituto.

Duda Falcão

Efeitos da Radiação em Tripulações e Sistemas
Embarcados São Objeto de Estudo do IEAV

IEAv – Instituto de Estudos Avançados
22/02/2018

Brasil, no contexto da Dimensão 22, não pode prescindir do uso do espaço para benefício de sua sociedade e aprimoramento de seus sistemas de defesa. Incluir o País num cenário global onde poucos detêm a capacidade gerencial, operacional, tecnológica e industrial para fazer uso do espaço requer esforço coordenado entre diversos segmentos da sociedade, a fim de conquistar a independência do Setor Aeroespacial brasileiro. É com esse foco, principalmente na área tecnológica que o Instituto de Estudos Avançados – IEAv – desenvolve pesquisas nos efeitos que a radiação cósmica provoca sobre os organismos das tripulações e sobre os sistemas eletrônicos embarcados em aeronaves e veículos espaciais, em especial na região do Espaço Aéreo Brasileiro.


Instituições pertencentes ao conceito da “tríplice hélice”, como a USP (academia) e a EMBRAER (empresa), já demonstram elevado interesse no assunto e reconhecem a relevância do tema, motivo pelo qual manifestam uma procura constante por palestras e estudos que envolvam o assunto.

Nesse sentido, o Pesquisador Dr. Claudio Federico, do efetivo do IEAV/DCTA proferiu uma palestra, no dia 29/01/2018, na “XX Escola de Verão Jorge André Swieca de Física Nuclear Experimental” do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP). A palestra, intitulada “Dosimetria da Radiação Ionizante de Origem Cósmica no Espaço Aéreo Brasileiro” abordou tópicos  resultantes de diversos estudos e projetos desenvolvidos junto ao Laboratório de Dosimetria Aeroespacial (LDA) e ao Laboratório de Radiações Ionizantes (LRI) do IEAv, os quais realizam pesquisas nesse tema desde 2008.


“O convite, vindo de uma instituição de prestígio como o IFUSP, é motivo de orgulho para o nosso grupo de pesquisa, pois demonstra o reconhecimento da comunidade científica sobre o trabalho de medição e acompanhamento da dose de radiação cósmica em aeronaves que vêm sendo desenvolvido no LDA, atualmente o único laboratório especialmente instrumentado e capacitado para esse tipo de medição na América do Sul”, comenta o Dr. Claudio Federico, líder da pesquisa no IEAv e elemento de referência do assunto a nível nacional e internacional.

Segundo o Cel Av Lester de Abreu Faria, Diretor do IEAv, é somente por meio do conhecimento e pesquisa em temas dessa natureza que o Brasil conseguirá desenvolver seus próprios sistemas aeroespaciais, mitigando problemas que podem vir a ocorrer com suas tripulações e nos sistemas críticos embarcados. Trata-se de independência tecnológica, ausência de embargos e de geração de assimetria positiva de poder.


Fonte: Site do Instituto de Estudos Avançados (IEAv)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Instituto de Estudos Avançados (IEAV) Dá Um Grande Passo na Conquista do Vôo Hipersônico

Olá leitor!

Segue uma nota postada (19/02) no site do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) destacando que o instituto dá finalmente um dá um grande passo na conquista do Vôo Hipersônico.

Duda Falcão

Instituto de Estudos Avançados (IEAV) Dá Um
Grande Passo na Conquista do Vôo Hipersônico

IEAv – Instituto de Estudos Avançados
19/02/2018


A Concepção Estratégica “Força Aérea 100” tem por finalidade precípua estabelecer a visão para a Força Aérea Brasileira (FAB), ao completar “100 anos” de sua criação. Assim, tem por finalidade orientar a construção da capacidade militar desejada, buscando compor o esforço principal da Defesa Nacional, bem como balizar o Planejamento Estratégico da Força, cujo cumprimento resulta em configurações de forças militares aptas para a consecução da missão constitucional.


Conceitos desafiadores representam a intrínseca visão inovadora dos profissionais do ar e espaço. É nesse contexto que surgiu o Projeto 14-X, atualmente desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados – IEAv. Ele utilizará o próprio ar atmosférico como oxidante para a queima do hidrogênio líquido (combustível), levando oxigênio somente para a queima do combustível no trajeto fora da atmosfera terrestre.

A fim de desenvolver avançar com o Projeto, o Comando da Aeronáutica firmou um contrato com a Empresa Orbital Engenharia, a fim de que a mesma fornecesse serviços de Confecção de Projeto Executivo do Projeto de Engenharia de Sistemas para Integração do Demonstrador Tecnológico Scramjet 14-X S a um Veículo Lançador de Referência. Tal trabalho se encontra dividido em quatro Fases, quais sejam: Definição da Missão; Configuração do Sistema Integrado; Projeto Preliminar; e Projeto Detalhado.


No dia 29/01/2018, a Empresa Orbital Engenharia entregou a primeira etapa do contrato, oportunidade esta em que foi realizada uma solenidade formal, à altura da importância que a referida etapa representa para o projeto. Equipes do IEAv e da Orbital se reuniram na Empresa e os documentos foram entregues pelo Sócio Majoritário, Dr. Celio Costa Vaz ao Dr. Israel, fiscal do contrato do IEAv.

Segundo o Dr. Israel, o domínio da tecnologia hipersônica gera um grande diferencial de poder, na medida em que se mostra como um dos meios mais eficientes de acesso ao espaço, podendo ser utilizada para colocar satélites em órbita e fazer vôos suborbitais. Além disso, tal tecnologia pode ser usada em outras áreas como em mísseis intercontinentais ou na aviação civil, onde uma viagem de São Paulo a Londres duraria cerca de uma hora.

O Cel Av Lester de Abreu Faria, Diretor do IEAv, ressalta ainda que “com o domínio desta tecnologia, o Brasil passa a ter a oportunidade inédita de seguir na dianteira de uma linha de pesquisa avançada em um momento estratégico, uma vez que nenhum país no mundo domina a tecnologia dos motores hipersônicos. Outros países que buscam dominar essa tecnologia são os Estados Unidos, Japão, Austrália, Rússia e China,os quais estão atualmente em igualdade de condições com o Brasil na referida corrida tecnológica.”

A previsão é que o 14-X faça seu primeiro voo teste em 2020 e será capaz de atingir dez vezes a velocidade do som (12.258 km/h).



Fonte: Site do Instituto de Estudos Avançados (IEAv)

Comentário: Bom leitor, tenho um respeito muito grande por todos os institutos militares de ciência e tecnologia do país, aí incluído o IEAv, porem não tenho como levar uma notícia desta a sério, principalmente quando o instituto coloca o Brasil nesta área em pé de igualdade com o que está sendo feito nos Estados Unidos, Japão, Austrália, Rússia e China, o que não é verdade, já que todos esses países já realizaram pelo menos um voo hipersônico, enquanto o 14X não passou até hoje de apresentações em power point e vem adiando seu primeiro voo atmosférico desde 2011. Sinceramente espero que essa nova previsão de voo em 2020 se cumpra, e essa novela tenha um fim. Vamos aguardar os acontecimentos. Aproveitamos para agradecer a nossa leitora Mariana Amorim Fraga pelo envio dessa notícia.

Brasil Tenta Parceria Com SpaceX e Boeing Para Lançar Foguetes no Maranhão

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje (22/02) no site “UOL Notícias” destacando que o Brasil o está tentando parceria com SpaceX e Boeing para lançar foguetes no Maranhão.

Duda Falcão

UOL NOTÍCIAS – Economia

Brasil Tenta Parceria Com SpaceX e Boeing
Para Lançar Foguetes no Maranhão

Por Aiuri Rebello
Do UOL, em São Paulo
22/02/2018 - 04h00

Foto: Lucas Lacaz Ruiz - 12.jul.2012/Agência O Globo
Torre móvel de lançamento com foguete no CLA, no Maranhão.

Após o fracasso da parceria firmada com a Ucrânia 15 anos atrás, o governo federal negocia com as empresas norte-americanas SpaceX e Boeing, entre outras, o uso do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão, para lançamento de foguetes em missões espaciais até 2021. De acordo com o Ministério da Defesa, a base de lançamento tem o potencial de gerar 1,5 bilhão de dólares por ano ao país.

A SpaceX é hoje a principal companhia privada dedicada à exploração espacial e, no dia 6, lançou ao espaço a partir dos EUA o Falcon Heavy, o foguete mais potente da história.

A Boeing é uma das maiores empresas de construção de aeronaves do mundo e também produz componentes, satélites e veículos espaciais -- a empresa é fabricante dos ônibus espaciais usados pela NASA (a agência espacial norte-americanna) para levar astronautas ao espaço.

Primeira Parceria Deve Ser em Breve, diz Major-Brigadeiro

"Ainda não há nenhuma parceira fechada, mas estamos conversando e negociando com várias empresas do setor aeroespacial, incluindo a SpaceX, para o uso da nossa base em Alcântara", afirma o major-brigadeiro Luiz Fernando Aguiar, presidente da Comissão Coordenadora de Implementação de Sistemas Espaciais da FAB (Força Aérea Brasileira).

"Algumas dessas conversas estão bem  adiantadas e devemos anunciar a primeira parceria em breve", declara.

Em novembro, os militares da Aeronáutica receberam uma comitiva de executivos de empresas norte-americanas do setor aeroespacial. De acordo com a FAB, havia representantes das companhias Vector Space Systems, Microcosm, Boeing e da gigante da área militar aeroespacial Lockheed Martin.

Visita da SpaceX Cancelada Por Causa do Falcon Heavy

Segundo o major-brigadeiro Aguiar, os executivos da SpaceX faziam parte do grupo, mas cancelaram a vinda ao Brasil na última hora, pois tiveram que resolver imprevistos relacionados ao lançamento no início do mês do foguete Falcon Heavy.

A comitiva conheceu o complexo aeroespacial de São José dos Campos (91 km de São Paulo) e depois a base de lançamentos no Maranhão. "Mostramos para eles as possibilidades do nosso centro, que tem todas as condições de abrigar projetos espaciais destas companhias", diz o major-brigadeiro a frente da iniciativa.

"Nossa base tem a melhor localização do mundo para lançamentos espaciais, as empresas sabem disso e, assim como a gente, querem aproveitar esse potencial', afirma Aguiar.

Alcântara, na região metropolitana de São Luís, fica próxima à linha do Equador. A localização é estratégica para lançamentos espaciais, pois oferece um caminho mais curto para os foguetes saírem da atmosfera e serem colocados em órbita -- a economia de combustível pode chegar a 30% em relação a outros pontos de lançamento nos EUA e na Europa, por exemplo. Apesar disso, o Brasil nunca conseguiu aproveitar o potencial aeroespacial do lugar.

Falta Acordo Para Proteger Tecnologia dos EUA

A concretização destas negociações, no entanto, depende da aprovação e entrada em vigor de um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos. O instrumento jurídico internacional serve para instituir garantias legais para proteger o acesso e direitos sobre tecnologias de ponta de um país ou empresa em parcerias internacionais.

Como cerca de 80% de todos os foguetes e satélites produzidos no mundo possuem tecnologias norte-americanas --incluindo os equipamentos da SpaceX e da Boeing--, a falta de um acordo com os norte-americanos inviabiliza a parceria brasileira com praticamente qualquer empresa ou governo que use tecnologia dos EUA.

O esboço do acordo original, enviado para o Congresso Nacional em 2000, quando começou a aproximação com a Ucrânia, não havia sido aprovado até 2016, quando foi retirado da pauta a pedido do governo.

Melhor Localização Geográfica do Mundo

No ano passado, o governo brasileiro enviou uma contraproposta para o governo norte-americano. Ainda não houve resposta. Caso os EUA aceitem a proposta, ela tem de ser aprovada pelo Congresso de lá e, depois, ser aprovada no Congresso Nacional.

Em dezembro, o ministro da Defesa brasileiro, Raul Jungmann, esteve nos Estados Unidos para tratar do acordo com o governo norte-americano. "Existe espaço para reduzirmos as diferenças e desacordos na proposta", afirmou Jungmann ao portal norte-americano especializado na área de Defesa "Defense News" na ocasião.

"É muito importante para ambos os lados, Alcântara é considerada a melhor base de lançamento do mundo em termos geográficos", disse ao confirmar que a proposta brasileira está em análise no Pentágono.

Base Pode Render até US$ 1,5 Bilhão Para o Brasil

Antes, em abril, Jungmann havia conhecido o CLA no Maranhão. "Dado o mercado hoje e o valor de um lançamento, que pode girar de US$ 30 milhões a US$ 120 milhões (de R$ 87 milhões a R$ 390 milhões), nós temos condições aqui de gerar recursos da ordem de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,5 bilhão (de R$ 3,9 bilhões a R$ 4,85 bilhões) ao ano para o Brasil", afirmou durante a visita.

O ministro também falou que poderá haver parcerias com outros países para a expansão do projeto em Alcântara. "Rússia, França, Israel e Estados Unidos já demonstraram interesse. Também garantiremos a participação de empresas e órgãos nacionais", disse.

Agência Espacial Será Reformulada

No início do mês, o presidente Michel Temer publicou um decreto criando o CDPEB (Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro). O colegiado, que terá prazo de 360 dias para concluir os seus trabalhos, terá como objetivos fixar, por meio de resoluções, diretrizes e metas para a potencialização do Programa Espacial Brasileiro e supervisionar a execução das medidas propostas.

De acordo com o major-brigadeiro Aguiar, esse é o primeiro passo de uma reformulação que visa fortalecer o PEB (Programa Espacial Brasileiro). "Acredito que até março, a AEB [Agência Espacial Brasileira] será vinculada diretamente à Casa Civil da Presidência da República.

Hoje, a AEB está subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações." A Casa Civil não confirmou nem negou a mudança de estrutura na AEB.

Uma pessoa ligada à Boeing confirma as negociações com a FAB e com a AEB. Oficialmente, no entanto, a empresa não se posiciona sobre o tema.

A reportagem procurou, por e-mail e por telefone, a SpaceX, a AEB e o Ministério das Relações Exteriores, por meio de suas assessorias de imprensa, para comentar o teor da reportagem e prestar informações adicionais. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.


Fonte: Site UOL Notícias – https://noticias.uol.com.br

Comentário: Bom leitor, como se pode observar a coisa parece está próxima de acontecer. Como eu disse em meu artigo essa manhã, o problema não é o Acordo em si com os EUA que realmente precisa ser feito para tornar o CLA viável comercialmente, e sim à forma, a real motivação e por quem ele terá as suas negociações conduzidas do lado brasileiro. Além disso, vale lembrar que desde a implantação do CLA a ideia de comercializar sítios de lançamentos para outros países fazia parte dos planos, não tendo nada de novo nesta iniciativa, já que a mesma fazia parte da desejada criação do CEA (Centro Espacial de Alcântara). Porém não há como não sentir calafrios tendo esses Populistas de Merda afrente e os militares envolvidos infelizmente dizendo amém a tudo que eles querem, principalmente quando se vê nas negociações o nome BOEING, reconhecido braço direito da CIA nas relações internacionais dos EUA. Preocupante leitor, extremamente preocupante. Vamos aguardar os acontecimentos.