quinta-feira, 8 de março de 2018

Entrevista Com a Dra. Rosaly Lopes: Primeira Mulher e Brasileira Editora Chefe do Importante Journal Icarus


Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante entrevista com a astrônoma, geóloga planetária e vulcanóloga brasileira Dra. Rosaly Lopes do no Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, postada que foi ontem (07/03), no Blog do site “Periódico de Minas” editado pela UFMG.

Duda Falcão

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Entrevista Rosaly Lopes: Primeira Mulher
e Brasileira Editora Chefe do
Importante Journal Icarus


Como parte da celebração do Dia Internacional da Mulher, data de reconhecimento das lutas e conquistas das mulheres que acontece nessa quinta-feira, dia 8, o Portal Periódicos de Minas entrevistou uma mulher brasileira que tem se destacado no campo da editoração científica. A astrônoma, geóloga planetária e vulcanóloga Rosaly Lopes iniciou, em fevereiro, seu trabalho como editora-chefe do periódico Icarus, um dos mais importantes no campo da ciência planetária, sendo a primeira mulher e não-americana a exercer o cargo.

Rosaly Lopes nasceu no Rio de Janeiro e desde pequena se viu extremamente atraída pelo espaço. Quando tinha quatro anos, Yuri Gagarin, o astronauta russo, deu uma volta em órbita da Terra. “Eu me lembro dos meu pais falando que esse russo tinha ido ao espaço e achei que aquilo era uma maravilha. Eu não sabia nem o que era um russo, ainda mais como um russo tinha subido lá em cima”. Decidiu então que seria astronauta.

Logo percebeu algumas barreiras: “ainda era pequena quando eu fui descobrindo que eu era mulher, brasileira e super míope! Então não dava para ser astronauta (risos)”. Por isso, resolveu ser astrônoma e ajudar a exploração espacial como cientista. Anos depois, Rosaly se tornaria PhD em ciência planetária pela Universidade de Londres e trabalharia para a NASA. “Eu nunca quis outra coisa, eu sempre quis ter alguma relação com o espaço”, Rosaly conta.

Hoje, ela acredita que as barreiras que a fizeram repensar a carreira de astronauta não são inabaláveis. “Quando eu era jovem, tinha poucas oportunidades no Brasil. Hoje em dia a internet permite produzir a ciência em um âmbito internacional”. Além disso, Rosaly conta que quando começou a buscar sua carreira, quase que não haviam mulheres na área de ciências. “Hoje esse quadro mudou e o número de mulheres na ciência está crescendo mais e mais. Está ficando cada vez mais acessível para nós”.

Rosaly acredita que essas mudanças sejam um dos motivos para ela ser a primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe da conceituada revista Icarus. “Um cargo como esse precisa de uma pessoa com bastante experiência, um cientista senior que conheça o ramo bem, conheça as pessoas bem. Para adquirir essa experiência, você tem que ter muitos anos de carreira e quando eu comecei éramos poucas mulheres. Então é uma coisa estatística, quanto mais mulheres você tiver numa área, mais a mudança vai acontecer”.

Para o novo cargo, a astrônoma e vulcanóloga conta que sua experiência anterior com liderança será de grande ajuda. Ela deixa um cargo de chefia no Jet Propulsion Laboratory da NASA, que ocupou por 5 anos, coordenando toda a área de ciências planetárias, com uma equipe de cerca de 100 pessoas. “Isso ocupava muito tempo, eu queria voltar para fazer mais pesquisa, me dedicar a fazer ciência”.

O primeiro editor-chefe do periódico Icarus foi o famoso astrônomo Carl Sagan e Rosaly o conheceu quando trabalhou na missão Galilleu, da qual o cientista também fazia parte. “Uma coisa muito importante do Carl Sagan é que ele realmente abriu o campo para o cientista não só ser um ótimo cientista, mas também, ser um cientista que pode fazer a ciência mais popular. Que pode ir na televisão, entusiasmar os jovens. Carl Sagan era um ótimo comunicador público de ciência e abriu esse campo para todos nós”. Rosaly, inclusive, ganhou a medalha Carl Sagan da American Astronomical Society em 2005. Ela é dada para um cientista em ciências planetárias que contribua para levar a ciência ao público em geral.

Rosaly considera que é muito importante estimular a sociedade e, principalmente, os jovens a se interessarem pela ciência. Segundo ela, quanto mais pessoas ingressarem na área científica e tecnológica, mais progresso teremos. E tudo isso depende de ensino de ciência e tecnologia

Além disso, ela comenta que vários estudos mostram que as crianças, meninos e meninas, são igualmente interessadas em ciência, porém, quando chega a adolescência, as meninas têm a tendência de se desinteressar pelo assunto. Ela completa: “Quem estuda o assunto diz que é cultural, e eu acho que a cultura está mudando bastante. Uma coisa que ajuda muito é você ter uma Role Model (alguém que inspira, um modelo a seguir): se uma menina ver que tem mulheres em cargos altos em ciência, a menina vai pensar: bem, eu também posso chegar lá”.

Para Rosaly, essa inspiração veio de Poppy Northcutt: “eu vi em um jornal brasileiro na época da missão Apollo 13 uma mulher que me inspirou muito. Nunca conheci ela pessoalmente. Essa mulher trabalhou fazendo cálculos de órbita para a missão poder voltar à Terra. Ver o retrato da mulher no jornal foi muito importante pra mim”.

Poppy Northcutt

Hoje, Rosaly pode ser essa inspiração e sabe que tem essa responsabilidade: “Uma das coisas mais importantes que você pode fazer como cientista é inspirar a nova geração.”


Fonte: Site Periódicos de Minas - https://www.periodicosdeminas.ufmg.br

Comentário: Pois é, a Dra. Rosaly Lopes é um grande exemplo para nossos jovens. Aproveitamos para agradecer a nosso leitora Mariana Amorim Fraga pelo envio deste entrevista.

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