terça-feira, 27 de março de 2018

Míssil Brasileiro de Alta Precisão Entra em Fase Final de Desenvolvimento

Olá leitor!

Olha eu não costumo trazer aqui matérias da área de Defesa por não ser o foco do nosso Blog, mas devido a relevância desta notícia e o fato de grandes profissionais estarem envolvidos com este projeto, alguns dos quais que já fizeram parte do PEB, trago abaixo uma notícia postada ontem (26/03) no site “UOL Notícias” destacando que Míssil brasileiro de alta precisão da Avibrás entra em fase final de desenvolvimento.

Duda Falcão

UOL NOTÍCIAS - Ciência e Saúde

Míssil Brasileiro de Alta Precisão Entra
em Fase Final de Desenvolvimento

Roberto Godoy
ESTADÃO
26/03/2018 - 10h37

Foto: Divulgação
O míssel MTC-300 é o mais sofisticado da empresa brasileira Avibras.

O primeiro míssil brasileiro de cruzeiro, o MTC-300, com 300 km de alcance e precisão na escala de 50 metros, entra na fase final de desenvolvimento esse ano, com a retomada dos voos de teste. As primeiras entregas para o Exército estão previstas para 2020 - encomenda inicial de 100 unidades, definida em 2016, está sendo negociada e será entregue em lotes sequenciais até 2023. O investimento no programa é estimado em R$ 2,45 bilhões.

O míssil é o vetor mais sofisticado do desenvolvimento do Astros 2020, a sexta geração de um sistema lançador múltiplo de foguetes de artilharia criado há cerca de 35 anos pela empresa Avibras, de São José dos Campos. O Programa Estratégico Astros 2020 cobre a compra e a modernização de uma frota de 67 carretas lançadoras e de veículos de apoio, a pesquisa do MTC-300 e também a de um novo foguete guiado, o SS40G, de 45 km de raio de ação. No pacote entra a instalação do Forte Santa Bárbara, em Formosa (GO), sede do grupo, que já opera 53 viaturas da versão 2020.

"O míssil expande a capacidade de dissuasão do País e confere ao Exército apoio de fogo de longo alcance com elevados índices de precisão e letalidade porém com mínimos danos colaterais", analisa um oficial da Força ligado ao empreendimento. É um recurso empregado para missões de destruição de infraestrutura, como uma central geradora de energia ou um complexo industrial. A cabeça de guerra de 200 kg de explosivos é significativa. "Com duas delas é possível comprometer o funcionamento de uma refinaria de petróleo de grande porte", considera o engenheiro militar.

A configuração do MTC 300 é o resultado de 13 anos de aperfeiçoamento. O desenho é moderno, compacto, e utiliza asas retráteis que se abrem depois do disparo partir do casulo transportado por uma carreta. O motor de aceleração usa combustível sólido e só é ativado no lançamento. Até agora foram realizados 16 voos de ensaio. Há ao menos mais quatro em fase de agendamento antes do começo da produção de pré-série.

Durante o voo de cruzeiro, subsônico, o míssil tem o comportamento de uma pequena aeronave - a propulsão é feita por uma turbina desenvolvida também pela Avibrás. Ela foi construída para durar 40 horas, dez vezes mais que as quatro horas do tempo máximo de uma missão de ataque. A navegação é feita por uma combinação de caixa inercial e GPS. O míssil faz acompanhamento do terreno com um sensor ótico-eletrônico, corrigindo o curso em conformidade com as coordenadas armazenadas a bordo.

Regras

A arma está no limite do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis, o MTCR, do qual o Brasil é signatário. O acordo restringe o raio de ação máximo a 300 quilômetros e as ogivas a 500 quilos. O MTC-300 está dentro da distância fixada e atua com folga no peso, sustenta o presidente da Avibras, João Brasil de Carvalho Leite.

O míssil ainda não tem o radar necessário para buscar alvos móveis. O recurso permitiria realizar por exemplo, um disparo múltiplo contra uma frota naval, liderada por um porta-aviões, navegando a até 300 quilômetros do litoral - no caso do Brasil, eventualmente ameaçando províncias petrolíferas em alto-mar. Uma bateria do sistema é composta por seis carretas lançadora com suporte de apoio de viaturas remuniciadoras, um blindado de comando, um carro-radar de tiro, um veículo-estação meteorológica, um de manutenção e, quando houver uso do míssil, um de preparo de combate.

O MTC 300 é disparado por rampas duplas - cada carreta levará quatro unidades. O Astros 2020 completo pode utilizar quatro diferentes tipos de foguetes. O modelo SS-30 atua em salvas de 32 unidades e o SS-40, de 16. Os maiores, SS-60 (70 km de alcance) e SS-80 (cerca de 90 km), de três em três. O grupo se desloca a 100 km/hora em estrada preparada e precisa de apenas 15 minutos de preparação antes do lançamento. Cumprida a missão, deixa o local deslocando-se para outro ponto da ação, antes que possa ser detectado.

O mercado internacional para o produto é amplo. Uma prospecção feita há dois anos pela Avibras entre países clientes, operadores das versões mais antigas do sistema de foguetes - Arábia Saudita, Malásia, Indonésia e Catar, além de três novos interessados, não identificados - indicou um potencial de negócios entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões a serem definidos até 2025. A empresa, que atravessou uma séria crise até 2015, quando registrou receita bruta de R$ 1,1 bilhão, cresceu 20% em 2017, obtendo receita líquida de R$ 1,7 bilhões.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Saiba mais deste projeto através do vídeo:



Fonte: Site UOL Notícias – https://noticias.uol.com.br

Comentário: Olha leitor, não sou nada fã de armas, mas reconheço que infelizmente no mundo atual não há como abdicar do desenvolvimento delas, desde é claro que seja para uso de auto-defesa e não de ataque, e neste caso este Míssil é bem vindo. Porém, após o seu desenvolvimento o mesmo será efetivamente usado pelas nossas forças armadas? Ou os recursos até agora empregados serão mais uma vez jogados no lixo por decisões politicas ou por falta de brasilidade? Não sei, só mesmo o tempo poderá dizer.

4 comentários:

  1. A ideia é ter os mísseis para não usá-los. País pacífico não é país desarmado. E em qualquer país que se preze, a indústria de defesa é um dos motores do desenvolvimento tecnológico.

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  2. "O investimento no programa é estimado em R$ 2,45 bilhões." Olha essa quantia. Talvez inclua muita coisa do ciclo de vida, manutencao, producao, etc... Afinal de contas estao anunciados 100 unidades.
    Mesmo assim, esse ai eh o orcamento de uns 10 anos do quase morto PEB haha. :(

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  3. O custo é realmente alto, porém a tecnologia embarcada justifica. Não é qualquer país que possui capacidade para desenvolver esse tipo de armamento.

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  4. Ao lê esse tipo de reportagem, sempre me irrito com o FHC e sua laia do PSDB que assinaram essa sem logica Tratado de Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis, o MTCR, do qual o Brasil é signatário em troca de nada.

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