segunda-feira, 26 de março de 2018

SGDC e a Tecnologia Brasileira de Satélites

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo publicado na edição de Março do ”Jornal do SindCT“, que esclarece a verdade sobre este desastroso projeto do trambolho francês SGDC-1.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA - CAPA

SGDC e a Tecnologia Brasileira de Satélites

Jornal do SindCT
Edição nº 65
Março de 2018


Uma questão emblemática precisa ser respondida sobre a relevância do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas – SGDC para o Brasil. Além de preencher uma vaga na órbita de geoestacionários (no limite de prazo), a comunicação militar do governo brasileiro, que é estratégica para o país, deveria ser provida por “satélite próprio” (antes eram alugados canais de comunicação em satélite internacional). Também o programa de internet para as regiões mais remotas do país era um alvo a ser alcançado pelo governo.

Há muitos anos existe a demanda de satélites de comunicação para o Brasil, que sempre foram adquiridos no exterior.

Dentro do INPE havia e há empenho dos pesquisadores e engenheiros de alcançar este desenvolvimento para um satélite geoestacionário totalmente nacional, com vários grupos já preparados para este novo desafio tecnológico.

Infelizmente, a política da Agência Espacial Brasileira - AEB, do governo e de outros, levou à quase extinção dos grupos de desenvolvimento, devido a limitação de recursos, não contratações e aposentadorias, forçando a aquisição externa do SGDC.

Mesmo adquirindo o satélite no exterior, o governo, na figura da AEB, poderia ter exigido uma contrapartida tecnológica mais favorável ao Brasil, com objetivo de capacitar engenheiros brasileiros para futuros satélites de comunicação.

Foi realizado pela AEB um Programa de Absorção de Tecnologia – PAT, direcionado a engenheiros de vários órgãos. Entretanto, transferência de conhecimento só se conseguiria com pessoal capacitado para tal absorção. A maioria das pessoas envolvidas no programa, apesar de bem formadas e especializadas, não detinham, como é natural, conhecimento suficiente para absorverem a tecnologia e apenas receberam o que os técnicos franceses quiseram ensinar.

O SGDC fornece o que o Brasil quis comprar (comunicação militar e internet), mas com um pacote de caixas pretas que não se teve acesso durante o PAT. Muitos documentos foram fornecidos no nível de engenharia de sistema, mas nada sobre os equipamentos, o que poderia permitir um aprendizado efetivo para desenvolvimento futuro no Brasil.

Quanto à comunicação militar, apesar de criptografada por militares brasileiros, não se garante que “outros interessados” não possam ter acesso às informações. Dentro do satélite, a informação chega criptografada, mas é traduzida para linguagem de máquina para ser processada pelo computador de bordo e então novamente criptografada para ser transmitida de volta à Terra.

Como é uma caixa preta, não sabemos se a mesma informação poderia seria replicada para outros canais de interesse externo, da criptografia de saída, sem o nosso conhecimento. Lembrem-se que na guerra da Malvinas os franceses forneceram aos ingleses os códigos dos Mísseis Exocet, adquiridos pelos argentinos na França, os quais foram plenamente neutralizados.

Quanto à internet, o governo atual mudou as regras do programa de banda larga do SGDC e as bases terrenas não foram instaladas para recepção, portanto o satélite está operacional somente na comunicação militar, mas sem fornecer o serviço de internet que está disponível a bordo.

O governo quer privatizar os canais de internet (ainda não conseguiu), o que privaria as comunidades carentes de acessar a banda larga de forma gratuita, como era o previsto no programa original. A vida útil do satélite está diminuindo com o passar do tempo e o serviço, pago a preço de ouro, não está sendo usado.

O Brasil ainda é refém nesta classe de satélites, pois não se permitiu, ou nem mesmo estimulou, o desenvolvimento de um satélite nacional de comunicação. Teremos que partir do conhecimento nacional já conquistado no INPE, se quisermos desenvolver o nosso próprio satélite de comunicação e, contrariando interesses, garantir nossa soberania neste seguimento.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 65ª – Março de 2018

Comentário: Pois é, não foi por falta de aviso. Desde o inicio deste desastroso projeto o Blog BRAZILIAN SPACE contrariando a grande divulgação governamental na mídia, mentirosa e irresponsável, tentou passar para a Sociedade Brasileira interessada no tema à realidade dos fatos, mas pouco tivemos êxito devido a força do governo junto a esta mesma mídia desinteressada e irresponsável em esclarecer a verdade ao nosso povo. Tá ai, leiam com atenção. Só não entendi SindCT o fato do artigo não ter sido assinado. Por que será? rsrsrsrs

Um comentário:

  1. E ainda tem a questão do Ministro Kassab fazer uso eleitoral do satélite.


    https://jornalggn.com.br/blog/ciencia-e-tecnologia/kassab-faz-uso-eleitoral-do-satelite-sgdc

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